terça-feira, 9 de junho de 2026

Assembleias de Deus e regresso à Idade Média (repostagem)

Imagem: gerada por ChatGPT (OpenAI), 9 jun. 2026.

Por Roney Cozzer

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A incoerência do título é proposital, afinal, a nossa querida igreja Assembleias de Deus, denominação pioneira do Pentecostalismo, nasceu em solo brasileiro, no século XX, mais precisamente em 1911 na cidade de Belém do Pará, no Norte do Brasil, uma data bem distante do final da Idade Média. Todavia, algumas vezes protagonizamos alguns fatos que me fazem pensar que estamos regressando à Idade Média. As Assembleias de Deus sempre foram conhecidas pelo rigorismo de seus usos e costumes, o que mudou significativamente nos últimos anos, como sabemos. 

A meu ver, os excessos podem ser encontrados em ambos os lados: do conservadorismo e do "liberalismo" quando o assunto é usos e costumes. Existem aqueles que veem pecado em tudo e aqueles que não veem pecado em nada. Nessa hora, é preciso equilíbrio. Mas é fato que a questão dos usos e costumes levada a extremos deu lugar a muita religiosidade, incompreensão do significado de uma verdadeira vida e conduta cristãs e a atitudes excludentes em nosso meio

Não podemos negar que vimos muitos absurdos serem perpetrados em nome da “sã doutrina”. E quando pensamos que a igreja progride no sentido de superar essas absurdidades religiosas, presenciamos algo como o que aconteceu recentemente no Mato Grosso. Uma convenção das Assembleias de Deus emitiu uma resolução, assinada pelo seu presidente, em que faz uma grosseira confusão entre usos e costumes e o que preceitua a Palavra de Deus em termos de doutrina. Ao ler a carta, senti como se estivéssemos retornando à Idade Média, ou como se parte da denominação estivesse tentando reviver esse período histórico, em que a superstição religiosa imperou de modo significativo e as pessoas não tinham maior acesso às Escrituras. 

A resolução emitida pela convenção chega ao absurdo de afirmar que Deus classificou o aparelho televisor como maldito e que a Igreja e o ministério devem abster-se do uso da bateria, os homens do uso da barba (aí doeu em mim) e de divertimentos mundanos como frequentar cinemas! Acredite se quiser, mas este é o teor da carta...

O que mais me chocou, contudo, foi a convenção ter incluído no texto da sua resolução algumas referências bíblicas para legitimar essas medidas, quando no contexto histórico-cultural desses textos bíblicos sequer existiam bateria, cinema e o aparelho televisor. A barba sim, esta era amplamente usada e valorizada pelos judeus e que, curiosamente, a convenção proíbe hoje. Já que eles estão usando a Bíblia, a barba deveria ser valorizada, não? A incoerência é tanta que eles fazem um uso bizarro de Amós 5.23 para justificar a abstenção do uso da bateria! Mas o texto de Amós 5 trata-se, na verdade, de uma advertência contra a "casa de Israel" e que nada, absolutamente nada tem que ver com instrumentos musicais em si.

Extremos como esses fazem uma denominação séria como as Assembleias de Deus parecerem um segmento de pessoas lunáticas e desprovidas de bom senso. O cenário sociocultural da Bíblia é muito distinto do nosso. Querer impor determinados usos e costumes a outras culturas em nome da "santidade" representa, em muitos casos, uma franca agressão às pessoas e nada tem de genuinamente bíblico. 

A moralidade é relativa e é sempre um risco usar a Bíblia para legitimar determinado conjunto de valores tidos como morais. Por exemplo, uma mulher com os seios à mostra em nossas ruas implicaria num atentado ao pudor, mas uma mulher com os seios à mostra numa determinada aldeia indígena seria uma ocorrência comum e que sequer chamaria a atenção. O fato é que ambas as mulheres, respeitando seus respectivos contextos culturais, podem se santas na melhor acepção da palavra “santa”, mostrando ou não os seus seios. Em nossa cultura, uma mulher deixar os seios à mostra assume uma conotação lasciva, ao passo que numa cultura indígena o significado de tal ato nada pode vir a ter com a lascívia. São contextos diferentes com implicações diferentes. 

Sabemos que as culturas variam, mas a Palavra de Deus permanece! A lascívia é pecado, os seios não. Mas infelizmente, como disse Jesus, é coar um mosquito e engolir um camelo, é jogar fora a misericórdia e prezar por ritos e práticas sem nenhum sentido, é ignorar o cerne do evangelho e cultivar uma religiosidade mecânica, marcada por um conjunto de ditames mórbidos sem sentido.
 
Minha oração é no sentido de que possamos voltar ao puro e simples evangelho de Jesus, entendendo o real significado de uma vida santa e que, como proclamou Amós, “Corra, porém, o juízo como as águas, e a justiça como o ribeiro impetuoso” (Amós 5.24) entre nós. Este sim é um preceito atemporal e supracultural! Não deixamos de reconhecer que há convenções sérias e pastores sérios, e que lideranças com posturas absurdas como essas não representam a totalidade das Assembleias de Deus brasileiras, mas infelizmente nossa denominação tem convivido muito com esses excessos que precisam ser combatidos, sobretudo, à luz da Palavra de Deus.

Roney Cozzer... de barba, é claro!

Fonte: COZZER, Roney R. Assembleia de Deus e regresso à Idade Média... Facebook. 04 jun. 2019 [Site]. Disponível em: <https://www.facebook.com/roneyricardocozzer/posts/pfbid02fe7c1x9MmqdmyaDXGy9LqRUZpgXBUs8ikrCf7TQGfP3JPZgro6Yx3aRaAGo5GgHrl>. Acesso em 09 jun. 2026.

Assembleias de Deus e regresso à Idade Média (repostagem)

Imagem: gerada por ChatGPT (OpenAI), 9 jun. 2026. Por Roney Cozzer Assine minha newsletter e receba um livro de presente : clique aqui para ...