sábado, 1 de maio de 2021

EXEGESE BÍBLICA: PLANO DE ENSINO


PLANO DE ENSINO


DISCIPLINA

Exegese bíblica


PROFESSOR

Me. Roney Cozzer

Currículo Lattes e produção bibliográfica.


BIBLIOGRAFIA

WEGNER, Uwe. Exegese do Novo Testamento: manual de metodologia. São Leopoldo: Sinodal; São Paulo: Paulus, 1998.

ALEXANDRE JÚNIOR, Manuel. Exegese do Novo Testamento: um guia básico para o estudo do texto bíblico. São Paulo: Vida Nova, 2016.

KUNZ, Claiton André. Método Histórico-Gramatical: um estudo descritivo. Revista Via Teológica. Curitiba: vol. 2, nº 16, FTBP, 2008. Disponível aqui.

PAROSCHI, Wilson. Crítica textual do Novo Testamento. 2ª ed. São Paulo: Vida Nova, 1999.

OMANSON, Roger L. Variantes textuais do Novo Testamento: análise e avaliação do aparato crítico de "O Novo Testamento Grego". Trad.: Vilson Scholz. São Paulo: Sociedade Bíblica do Brasil, 2010.

COZZER, Roney R. Contribuições da Crítica Textual para a compreensão dos evangelhos sinóticos in: GUSSO, Antonio Renato. KUNZ, Claiton André. (org.s.). Interpretar é preciso: exercícios de leitura e interpretação. Curitiba: Núcleo de Publicações Fabapar, 2018. Disponível aqui.


1. DEFINIÇÃO E IMPORTÂNCIA DA EXEGESE

  1.1 Definição de Exegese

  1.2 Diferença da Hermenêutica

  1.3 Sua importância para a Igreja

  1.4 Ferramentas digitais para o estudo da Exegese

    Bible Hub (em português)

    The Word

    Bíblia Hebraica

  1.5 O Método Histórico-Gramatical

  1.6 O Método Histórico-Crítico


2. A DELIMITAÇÃO DO TEXTO BÍBLICO

  2.1 Significado da palavra "perícope"

  2.2 O que justifica a delimitação de textos bíblicos

  2.3 Vantagens da delimitação

  2.4 Exemplos de delimitações

  Marcos 4.10-13; Isaías 52.13 a 53.12; 1 Coríntios 10.23-11.1.

  2.5 Como delimitar


3. TRADUÇÃO

  3.1 O que é tradução e sua importância

  3.2 Tipos ou teorias de tradução

    3.2.1 Equivalência formal

    3.2.2 Equivalência dinâmica

  3.3 Problemas e desafios na tradução

    3.3.1 Figuras de linguagem

    3.3.2 Hebraísmos

    3.3.3 Palavras e conceitos que não possuem equivalentes na língua receptora


4. ANÁLISES DO TEXTO E DE SEU CONTEÚDO

  4.1 Literária (lexical, morfológica, estilística, sintática e literária)

Análise que compreende outras análises, todas no campo da língua e do texto. 

    4.1.1 Léxica

A análise léxica ou lexicográfica é aquela em que se considera o sentido lexical das palavras bíblicas.

    4.1.2 Morfológica

A análise morfológica consiste em considerar como as palavras são flexionadas ou conjugadas. E deve-se mencionar que a maneira como as palavras são formadas incide diretamente em seu significado.

    4.1.3 Estilística

Considera o estilo literário do autor da perícope em estudo, o que significa dizer que esta análise considera também as peculiaridades literárias do autor. Aqui, Kunz (2008, p. 212) indica a necessidade de se considerar as figuras de linguagem presentes nas Escrituras.

      4.1.3.1 Polissíndeto e Assíndeto

      4.1.3.2 Hipérbole

      4.1.3.3 Paralelismos

        4.1.3.3.1 Paralelismo sinonímico

        4.1.3.3.2 Paralelismo antitético

      4.1.3.4 Metáfora

      4.1.3.5 Quiasmo

    4.1.4 Sintática

Kunz (2008, p. 213) afirma que a sintática "[...] é a parte da gramática que estuda a disposição das palavras na frase e das frases no discurso, bem como a relação lógica das frases entre si".

    4.1.5 Literária

Se ocupa da análise do texto em sua estrutura e considera também em qual gênero literário o texto está escrito.

  4.2 Histórica

  4.3 Cultural

  4.4 Religiosa

  4.5 Teológica


5. CRÍTICA TEXTUAL (ECDÓTICA)

  5.1 Definição e uso

  5.2 Justificativa da Crítica Textual

  5.3 Definições

    5.1 Autógrafo

    5.2 Colação

    5.3 Variantes textuais

    5.4 Papiro, pergaminho, rolo e códice

    5.5 Lecionários

    5.6 Uncial, cursiva e minúscula

    5.7 Manuscritos mais importantes

      5.7.1 P52

      5.7.2 Papiros Chester Beatty

      5.7.3 Códice Alexandrino

      5.7.4 Códice Vaticanus

      5.7.5 Códice de Leningrado

      5.7.6 Manuscritos do Mar Morto ou Manuscritos de Qunram


6. A APLICAÇÃO 

  6.1 O que é aplicável a nós, hoje?

  6.2 O que é aplicável a mim, pessoalmente?

  6.3 A Lei do Uso como ferramenta para se identificar o que é aplicável


REFERÊNCIAS

KUNZ, Claiton André. Método Histórico-Gramatical: um estudo descritivo. Revista Via Teológica. nº 16, vol. 2, Curitiba: FTBP, 2008.

domingo, 11 de abril de 2021

PLANO DE AULA - HERMENÊUTICA BÍBLICA

PLANO DE AULA

Por Roney Ricardo Cozzer


INSTITUIÇÃO: INSTITUTO TEOLÓGICO QUADRANGULAR (ITQ)

DISCIPLINA: HERMENÊUTICA BÍBLICA

DATA: 24 ABR. 2021


APRESENTAÇÃO PESSOAL

Evangelista na Assembleia de Deus (ES), autor, professor e palestrante na área da Teologia. Mestre em Teologia pelas Faculdades Batista do Paraná (FABAPAR), possui formação em Psicanálise pelo Centro Teológico e Psicanalítico do Espírito Santo (CETAPES), é licenciado em Pedagogia e História.

Contato: roneyricardoteologia@gmail.com

Canal no YouTube: Repensando meu Cristianismo

Blog Teologia & Vida

Grupo no WhatsApp Teologia & Vida (compartilhamento de conteúdos)


DEVOCIONAL


APRESENTAÇÃO DA DISCIPLINA

Sua posição na Teologia. 

Disciplinas correlatas (Exegese; Filologia Sacra; Homilética).

Sua importância e contribuição, na Academia e na Igreja.


INDICAÇÕES BIBLIOGRÁFICAS


Bibliografia Básica

BENTHO, Esdras Costa. Hermenêutica Fácil e Descomplicada. 3ª ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2005.

COZZER, Roney Ricardo. Hermenêutica e Educação: uma proposta de formação educacional a partir da leitura popular da Bíblia. Joinville, SC: Editora Santorini, 2020.

FEE, Gordon D. STUART, Douglas. Entendes o que lês? Um guia para entender a Bíblia com auxílio da exegese e da hermenêutica. Trad.: Gordon Chown. Jonas Madureira. 3ª ed. rev. amp. São Paulo: Edições Vida Nova, 2011.

RICOEUR, Paul. A Hermenêutica Bíblica. Trad.: Paulo Meneses. São Paulo: Edições Loyola, 2006.


Bibliografia complementar

BEALE, G. K. O uso do Antigo Testamento no Novo Testamento e suas implicações hermenêuticas. Trad.: Marcus Throup. São Paulo: Vida Nova, 2014.

GEFFRÉ, Claude. Como fazer teologia hoje: hermenêutica teológica. Trad.: Benôni Lemos. São Paulo: Ed. Paulinas, 1989.

KEENER, Craig S. A hermenêutica do Espírito: lendo as Escrituras à luz do Pentecostes. Trad.: Daniel Hubert Kroker. São Paulo: Vida Nova, 2018.

OSBORNE, Grant. A espiral hermenêutica: uma nova abordagem à interpretação bíblica. Trad.: Daniel de Oliveira. Robinson N. Malkomes. Sueli da Silva Saraiva. São Paulo: Vida Nova, 2009.

SILVA, Moisés. KAISER Jr, Walter C. Introdução à Hermenêutica Bíblica: como ouvir a Palavra de Deus apesar dos ruídos de nossa época. Trad.: Paulo César Nunes dos Santos. Tarcízio José Freitas de Carvalho e Suzana Klassen. São Paulo: Editora Cultura Cristã, 2002.

BERKHOF, Louis. Princípios de interpretação bíblica: um estudo cuidadoso de um meio que o Espírito da verdade emprega para conduzir seu povo em toda a verdade. 4ª ed. rev. São Paulo:
Cultura Cristã, 2013.


EXPLICAÇÃO DA ATIVIDADE A SER REALIZADA EM SALA

Leitura de um breve texto e discussão em grupos (3 a 4 pessoas) e em seguida, apresentação dos resultados à classe. Cada grupo deverá escolher uma pessoa para ser a representante do grupo e falar aos demais colegas de classe.


1. DEFINIÇÕES INICIAIS

  1.1 Definição etimológica

  1.2 Definição teológica

  1.3 Definição filosófica

  1.4 Pressupostos fundamentais

    1.4.1 O autor (hagiógrafo)

Os distanciamentos. Aproximações são possíveis.


    1.4.2 O leitor contemporâneo

A importância do leitor. 

Contribuições de Paul Ricoeur. 

O círculo hermenêutico (H. Gadamer).


    1.4.3 O meio 

O texto bíblico como veículo da Revelação; suas especificidades.


2. SEMELHANÇAS E DIFERENÇAS EM RELAÇÃO À EXEGESE BÍBLICA


3. JUSTIFICATIVA DA HERMENÊUTICA

"Analfabetismo bíblico-funcional" (COZZER).

Anacronismo bíblico.

O sitz im leben do texto bíblico como tópos substancialmente diferente do nosso.


4. OBJETIVOS DA HERMENÊUTICA

Elucidar o sentido do texto bíblico.

Oferecer princípios de interpretação bíblica.


5. TRABALHO EM GRUPO

Duração: meia hora.


6. PRINCÍPIOS DE INTERPRETAÇÃO BÍBLICA

Raiz etimológica

Usus loquendi

Gênero literário

Contexto da passagem

Lei do uso

O ambiente histórico-social

A Bíblia como "unidade"


7. A QUESTÃO DOS GÊNEROS LITERÁRIOS DA BÍBLIA

Definição de "gênero" a partir da Poética de Aristóteles.

A importância de se identificá-los.

Poesia (suas características).

Salmos (suas características).

Narrativa (suas características).

Evangelhos (suas características).

Apocalíptica judaica (suas características).


8. HEBRAÍSMOS

O que são os hebraísmos. 

Exemplos de hebraísmos.  

Exemplos de hebraísmos no texto grego do Novo Testamento.


9. AS FIGURAS DE LINGUAGEM DA BÍBLIA

O que são.

Sua presença na Bíblia.

A importância de se conhecê-las.

Exemplos de tipos de figuras de linguagem: hipérbole, eufemismo, metáfora, símile, onomatopeia e ironia.


10. O USO DO ANTIGO TESTAMENTO PELO NOVO

A questão da intertextualidade na Hermenêutica Bíblica.

Os três níveis de utilização do Antigo Testamento pelo novo: citações, alusões e ecos (G. K. BEALE).

Exemplo prático: Oséias 11.1 por Mateus 2.15: uma ressignificação?


11. O MÉTODO HISTÓRICO-GRAMATICAL

Um método sincrônico.

Valorização do gramma. 

Abertura ao sobrenaturalismo bíblico.


12. O MÉTODO HISTÓRICO-CRÍTICO

Um método diacrônico.

Crítica das fontes.

Crítica da redação (a teologia do autor).

Crítica das formas.

sábado, 10 de abril de 2021

O LIVRO DE JÓ (ESBOÇO DE SERMÃO)


Jó conversa com seus amigos, por Gustav Doré

TEXTO BÍBLICO BASE: 

"1. Na terra de Uz vivia um homem chamado Jó. Era homem íntegro e justo; temia a Deus e evitava o mal. 2 Tinha ele sete filhos e três filhas, 3 e possuía sete mil ovelhas, três mil camelos, quinhentas parelhas de boi e quinhentos jumentos, e tinha muita gente a seu serviço. Era o homem mais rico do oriente.
 4 Seus filhos costumavam dar banquetes em casa, um de cada vez, e convidavam suas três irmãs para comerem e beberem com eles. 5 Terminado um período de banquetes, Jó mandava chamá-los e fazia com que se purificassem. De madrugada ele oferecia um holocausto em favor de cada um deles, pois pensava: "Talvez os meus filhos tenham lá no íntimo pecado e amaldiçoado a Deus". Essa era a prática constante de Jó" (Jó 1.1-5, Nova Versão Internacional).

Por Roney Ricardo Cozzer


INTRODUÇÃO

Nesta breve análise do livro de Jó, serão considerados alguns aspectos importantes dessa obra ímpar, como a sua estrutura literária, sua autoria, data de composição e sua mensagem. Mas inicialmente, é necessário discorrer sobre a literatura de sabedoria do Antigo Testamento, onde se situa o livro de Jó. Mesmo que se reconheça que exista certa independência do livro em relação aos demais livros classificados como de sabedoria e poéticos, eles possuem elementos comuns que os perpassam e que os conectam. Daí a importância de se considerar inicialmente esse gênero literário de sabedoria.


1. A LITERATURA DE SABEDORIA

Os Livros Poéticos ou Livros Sapienciais do Antigo Testamento são em número de cinco. Embora poucos livros, eles possuem um grande volume literário. Esses livros são: Jó (com 42 capítulos, Salmos (composto por 150 salmos), Provérbios (31 capítulos), Eclesiastes (12 capítulos) e Cantares (oito capítulos). Com exceção deste último livro, o de Cantares, os demais são livros extensos, com muitos capítulos. Exegetas católicos classificam também em cinco os livros chamados de “Sapienciais”, mas sinalizando alguns livros que não constam do cânon protestante. São eles: Provérbios, Jó, Eclesiastes, Sabedoria de Sirac (Eclesiástico ou Sirácida) e o Livro da Sabedoria (de Salomão).

A palavra “sabedoria” é muito recorrente nas Escrituras. No hebraico o termo é hokmâ e em grego sophia. Possui várias aplicações, podendo indicar desde a habilidade de um artesão, como em Êxodo 36.8, julgamento real (1 Re 3.28) ou piedade (Pv 9.10; Jó 1.1). Somos informados ainda de que a palavra “sabedoria” ocorre cerca de 400 vezes, sendo três quartos das ocorrências nos livros de Sabedoria (BROWN. FITZMYER. MURPHY, 2007, p. 883). 

Um aspecto comum aos Livros de Sabedoria é a sua internacionalidade, que pode ser evidenciada pela presença de personagens não israelitas nesses livros, como os amigos de Jó, a “[...] comparação explícita da sabedoria de Salomão com a de povos do Oriente e do Egito [...] e pela nítida influência da sabedoria extrabíblica” (BROWN. FITZMYER. MURPHY, 2007, p. 883,84). 

Outro aspecto comum aos Livros de Sabedoria é a sua ênfase na origem da sabedoria: Iavé. O Senhor é visto como o “princípio da sabedoria” (cf.: Pv 9.10, ARC). Outras palavras equivalentes a “sabedoria” aparecem também indicando que a sabedoria vem do Senhor: “ciência” (Pv 1.7, ARC), “saber” (Pv 1.7, NAA) e “conhecimento” (Pv. 1.29). Mormente no livro de Provérbios (mas não apenas nele) esta é uma ideia recorrente. O interesse pela sabedoria está presente em outros povos, como entre os gregos que produziram homens como Sócrates, Platão e Aristóteles, mas sem conhecimento de Deus.

Ainda outro aspecto muito importante sobre a sabedoria presente nos livros sapienciais é que ela possui um viés altamente prático (sabedoria experiencial). Dito de outra forma: a sabedoria nos Livros Sapienciais busca orientar para a vida. Não por acaso, esses livros de Sabedoria contém muitos provérbios, lições e ensinos extraídos do cotidiano e direcionados ao cotidiano (considere, por exemplo, o ensino de Eclesiastes 3 sobre o tempo e a descrição da mulher virtuosa em Provérbios 31.10-31).

Os Livros Sapienciais constituem um dos mais belos conjuntos de textos já produzidos pela humanidade. O livro de Jó aborda como nenhum outro a questão do sofrimento humano. O livro dos Salmos registra o que há de mais profundo em termos de adoração a Deus. O livro de Provérbios contém muitas máximas de sabedoria que se aplicam admiravelmente, mesmo após muitos séculos de sua composição. O livro de Eclesiastes, como nenhum outro, coloca em evidência a falibilidade da vida humana. E por fim, em linguagem poética, o livro de Cantares realça o amor conjugal.


2. O LIVRO DE JÓ

Neste tópico, consideraremos o livro de Jó quanto a alguns aspectos literários. Esse conhecimento prévio prepara o caminho para que se possa estudar a mensagem do livro.


  2.1 Título e historicidade

O título do livro é alusivo ao personagem principal do livro: o patriarca Jó. Há divergências entre os comentaristas bíblicos sobre a historicidade desse personagem. A posição ortodoxa entende Jó como um personagem real, na História, sendo possível, inclusive, situá-lo de modo aproximado, no tempo.

Como argumentos em favor da historicidade de Jó tem sido citados os textos de Ezequiel 14.14,20 e Tiago 5.11, que se referem a Jó como um homem real. Inclusive do texto de Tiago sobre Jó é que, possivelmente, deriva o adágio popular: “Paciência de Jó”.


  2.2 Autoria e data

A Crítica Bíblica se inclina a situar o livro de Jó no período pós-exílio. De fato, há fortes indícios de que a sua composição se dá depois do Exílio, como por exemplo a satanalogia presente no livro, bem desenvolvida e avançada, diferindo substancialmente do restante do Antigo Testamento nesse sentido. 

Mesmo que se admita que o livro seja produto do período pós-exílio, não é incoerente pensar que o livro preserve uma tradição muito mais antiga. Com efeito, o livro evidencia que o autor conhecia muito bem um período que é de fato muito anterior: o período dos patriarcas.

Podem ser assim mencionados alguns detalhes interessantes, presentes no livro de Jó, que apontam justamente para a possibilidade dos fatos narrados no livro terem ocorrido no período patriarcal. 


  1. A medição da riqueza feita por animais (a mesma do tempo de Abraão; cf. 1.3);

  2. A menção de povos muito antigos: os sabeus e caldeus (1.15,17);

  3. A presença da expressão hebraica traduzida como “peça de dinheiro” só encontrada ali e em Gênesis 33.19 (considere o paralelo);

  4. A maneira de Jó oferecer sacrifícios bem ao padrão patriarcal;

  5. A longevidade de Jó, comum ao período patriarcal;

  6. O uso frequente do nome divino Shaddai (31 vezes) em lugar de Iavé pode ser considerado como um indicativo de que o livro esteja relatando eventos de um período anterior ao Êxodo.


  2.3 Sua estrutura literária

O livro de Jó possui uma estrutura que pode ser resumida, basicamente, da seguinte maneira: inicialmente, há uma parte histórica, que situa o personagem principal do livro e revela o pano de fundo do seu sofrimento (cap.s. 1 e 2); depois, seguem-se uma série de diálogos, começando com o solilóquio de Jó no capítulo 3, tendo lugar em seguida os discursos dos amigos de Jó – Elifaz, Bildade, Sofar e Eliú – (cap.s. 3 a 37); por fim, a partir do capítulo 38, temos a “resposta” de Deus (cap.s. 38 a 41). O livro encerra com o capítulo 42 que inclui a reação de Jó a resposta de Deus e alguns informes de cunho históricos.

O livro de Jó pode ser assim esboçado:

  I. PRÓLOGO (cap.s. 1 e 2)

  II. DIÁLOGO (cap.s. 3 a 31)

  III. DISCURSOS DE ELIÚ (cap.s. 32 a 37)

  IV. DISCURSO DE DEUS E RESPOSTA DE JÓ (cap.s. 38 a 42) (BROWN. FITZMYER. MURPHY, 2018, pp. 925-27).


3. SUA MENSAGEM (SUA TEOLOGIA)

O livro de Jó é lido, relido e admirado por milhões de pessoas, inclusive não cristãs, no mundo inteiro, ao longo de gerações. E ele continua oferecendo uma mensagem que fala às pessoas, no tempo atual. Sua teologia centra-se em torno de uma pergunta lancinante: “Por que sofre o justo?” Curiosamente, o livro não se preocupa em necessariamente “responder” a esta pergunta, embora a sua teologia gire justamente em torno dela. 

Jó é um livro que retrata o sofrimento de um homem justo que entende estar sofrimento injustamente, sem merecer. Justamente por isto, um tema teológico que perpassa todo o livro é o da justiça. A maior seção do livro que vai do terceiro capítulo até ao 31, contendo o diálogo poético entre Jó e seus três amigos, Elifaz, Bildade e Zofar,  é justamente uma discussão em torno do “[...] profundo problema teológico do significado do sofrimento na vida de um homem justo” (R. A. F. Mackenzie. Roland E. Murphy. Jó. in: BROWN. FITZMYER. MURPHY, 2018, p. 922).

Outro ponto interessante a se considerar que alguns teólogos católicos consideram o livro de Jó, juntamente com Eclesiastes, como uma possível reação aos demais livros poéticos que enfatizam a bênção decorrente da retidão e da obediência. No caso de Jó, o que ocorre é o contrário. Ele sofre e perde drasticamente tudo mesmo sendo irrepreensível. 

Outro tema teológico muito importante no livro de Jó é o da perseverança. Jó é melhor compreendido como sendo perseverante, mais do que paciente, visto que ele, em determinados momentos do livro, se mostra realmente exasperado. Mackenzie e Murphy comentam: “O provérbio popular ‘paciência de Jó’ parece derivar da Epístola de Tiago [...]. Ele é tanto sem sentido (Jó não é paciente) quanto inexato (hypomone significa ‘firmeza’ ou ‘perseverança’). Jó é perseverante, apesar dos altos e baixos de sua experiência” (R. A. F. Mackenzie. Roland E. Murphy. Jó. in: BROWN. FITZMYER. MURPHY, 2018, pp. 921,22).


4. APLICAÇÃO

Podemos extrair diversas aplicações e reflexões para nossa espiritualidade a partir do estudo desse maravilho livro. Em primeiro lugar, destaco o fato de que a Palavra de Deus evidencia que a sabedoria divina continua disponível a nós, hoje, de modo que no Novo Testamento somos até mesmo incentivados a buscar do Alto essa sabedoria (cf.: Tg 1.5; 3.13-18). 

Também aprendemos que Deus continua presente mesmo quando falta um sentido para o sofrimento que enfrentamos. E por mais chocante que seja, Jó nos ensina que Deus está acima dessa busca humana por sentido. "Não fazer sentido, em alguns momentos na existencialidade humana, faz todo sentido!"

Também aprendemos que nem sempre obteremos resposta de tudo que perguntamos ao Senhor. Observe-se que o livro de Jó é cheio de indagações e há uma grande e teológica pergunta que perpassa o livro: "Por que o justo sofre?" Todavia, curiosamente, o livro termina sem uma resposta contundente a essa pergunta! Longe disto, a partir do capítulo 38, o Senhor, ao "responder" Jó de um redemoinho, lança-lhe mais uma série de indagações.

Por fim, somos lembrados pela teologia de Jó que a vida implica sofrimento; homens e mulheres justos sofrem também. Sofrimento e bênçãos vem sobre todos. A chuva cai sobre justos e injustos, bons e maus.


CONCLUSÃO

No final do livro, Jó é retratado sendo amplamente abençoado por Deus e recuperando seus bens e tendo outros filhos, bem como tendo também sua longevidade estendida. Em 42.10 pode-se ler o seguinte: “E depois que Jó intercedeu pelos seus amigos, o Senhor o livrou e lhe deu o dobro do que possuía antes” (Almeida Século 21). Noutras palavras, podemos afirmar que o livro de Jó é também um livro de perseverança e de esperança.


REFERÊNCIAS

BROWN, Raymond E. FITZMYER, Joseph A. MURPHY, Roland E. Novo Comentário Bíblico São Jerônimo: Antigo Testamento. Trad.: Celso Eronides Fernandes. São Paulo: Paulus, 2018.

COZZER, Roney Ricardo. Introdução ao Antigo Testamento: Pentateuco, Livros Históricos, Poéticos e Proféticos. Cariacica, ES: Instituto de Educação Cristã CRER & SER, 2018.

AULA ABERTA: DELIMITAÇÃO DO TEXTO BÍBLICO

 

Para baixar a Apresentação em Power Point utilizada durante a aula, clique aqui.

EXEGESE BÍBLICA: PLANO DE ENSINO

PLANO DE ENSINO DISCIPLINA Exegese bíblica PROFESSOR Me. Roney Cozzer Currículo Lattes e produção bibliográfica . BIBLIOGRAFIA WEGNER, Uwe....