Por Roney Cozzer
Assine minha newsletter e receba um livro de presente: clique aqui para assinar.
Seguindo com a nossa série de reflexões, fico feliz desta feita em afirmar que, graças ao nosso bom Deus, desaprendi a ideia de que QUEM PROFETIZA, FALA EM LÍNGUAS E TEM DONS ESPIRITUAIS é mais santo e mais espiritual. A Igreja me ensinou isso não de forma explícita, direta, mas sim quando reputou por "frios" aqueles que não atendiam a esse estereótipo e no preconceito que dedicou a mim, enquanto teólogo. Vi pessoas serem ovacionadas em igrejas evangélicas não por seu caráter, pela forma como tratavam suas famílias ou pela dedicação ao que é bom, mas apenas pelo seu talento.
Sou pentecostal e valorizo o fervor espiritual, como também creio na livre distribuição dos dons espirituais pelo Espírito Santo aos crentes, mas também acredito que isso não necessariamente atesta vida espiritual saudável. Com o grande sociólogo Zygmunt Bauman aprendi que a sociedade pós-moderna (ou sociedade líquida) valoriza mais a ESTÉTICA do que a ÉTICA. A experiência no interior de igrejas evangélicas me mostrou que a Igreja também opera com essa mesma escala de valores, igualando-se ao mundo que ela tanto critica...
Nem sempre talento anda de mãos dadas com caráter. Por vezes reputamos como "cristãos frios" pessoas que são íntegras, de oração, corretas em seus negócios e que dão excelente testemunho, enquanto laureamos pessoas estranhas que nem conhecemos; as admiramos apenas porque pregam, cantam ou possuem algum talento que chama a atenção. Todavia, esse modus operandi típico dos evangélicos já é, por si só, sintomático do adoecimento da Igreja. Isso é uma inversão de valores!
O evangelho de Cristo sinaliza para o ser mais do que para o ter. O dom deve ser um serviço, não uma vitrine. Há muitos Geazis entre nós, gananciosos por presentes, todavia, precisamos de mais apóstolos Paulos, pessoas altruístas, que gastam e se deixam gastar pelas pessoas e que, como diria o apóstolo Pedro, não fazem da obra de Deus motivo de negócio.



