terça-feira, 28 de julho de 2026

Felicidade


Por Roney Cozzer

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Três - é o número de vezes que assisti esse filme. E em todas elas eu chorei. Na última vez assisti junto com minha filha, mas o plano era não chorar, não na frente dela. Mas o fato é que a cena do diálogo entre o filho e a mãe me despedaçou... outra vez mais. Não me contive: chorei copiosamente! Minha filha me amparou. 

O recomeço é - para mim - mais que um filme: uma obra de arte que faz jus à Sétima Arte. Um filme simples de 2011, tipicamente estadunidense, daqueles que se dão no universo do futebol americano praticado naquelas cidadezinhas de interior dos Estados Unidos. Me faz lembrar sempre Meu nome é Rádio, outra obra de arte do cinema. 

O recomeço toca em questões muito profundas para mim e para muitos, ele traz em si uma carga existencial colossal e conseguiu provocar em mim uma experiência que algumas poucas situações ao longo da minha vida conseguiram: chorar muito. Chorei assim há muitos anos segurando a mão de minha mãe, numa conversa à mesa com ela; também quando meu pai faleceu; em oração, várias vezes e em algumas outras poucas situações. E filmes que me fizeram chorar, pelo que me lembro, apenas três, nessa ordem: A Lista de Schindler, Meu nome é Rádio e O recomeço, mas nenhum me quebrou tanto quanto O recomeço.

Para mim, a grande beleza desse filme é que ele evidencia, de uma forma singular, com diálogos de alto nível, que mesmo tendo a possibilidade de viver a vida de outra forma, talvez optaríamos por viver exatamente a nossa vida, se aprendêssemos a valorizar as coisas simples que estão presentes nela, que a constituem, mas que simplesmente ignoramos por estarmos sempre em busca de outras coisas como sucesso, popularidade, dinheiro, sexo... O filme é genial! 

O filme escancara o "óbvio não percebido", e não percebido talvez pela maioria das pessoas. O recomeço nos ensina que o dinheiro pode comprar uma mansão, mas não um lar; nos lembra que há pessoas que enfrentam dificuldades brutais para que tenhamos melhor qualidade de vida (a mãe que trabalha numa fábrica); ensina também que fama pode atrair mulheres, mas não uma parceira de vida que enfrenta junto as maiores dificuldades com amor e graça (a esposa Macy que cuidou de Murphy quando ele se lesionou e que permanece ao seu lado, depois, numa vida simples no campo); que o reconhecimento que importa é aquele que vem de gente que acompanha nossa trajetória e torce por nós (a comunidade local que torce pelo time), e não de estranhos. O recomeço ensina que o verdadeiro "eu" não é o que se apresenta perante a multidão (num estádio de futebol), mas sim aquele que deseja cuidar e amar - a mãe diz ao filho jogador de futebol famoso na cidadezinha: "Mas eu tenho orgulho de você, não do 'senhor futebol'".

É interessante para mim constatar que um dos melhores sabores que já apreciei em minha vida de 42 anos não foi em um bom restaurante, cujos pratos tivessem preços consideráveis, mas sim aquele feijão preto que tinha acabado de ser cozido com uma cebola inteira dentro da panela de pressão, feito pela minha mãe, em casa, num dia comum, como qualquer outro. E parece que ainda posso sentir o sabor... Décadas depois e eu aqui me lembrando de um episódio trivial, do dia a dia, mas que me marcou.

Ao longo da minha vida, obtive expressivas conquistas pessoais, das quais me alegro muito e pelas quais sou muito grato a Deus; vivi momentos memoráveis, eu diria. Mas é interessante para mim pensar que, quando recordo momentos felizes, os que de forma mais imediata e recorrente me vem à mente são aqueles em que estive com pessoas amadas, algumas das quais já se foram e deixaram muita saudade, fazendo coisas simples e alegres, daquelas que a gente só consegue fazer quando está na companhia de quem a gente ama.

Brincadeiras, boas gargalhadas, emoção, lágrimas, momentos cúlticos, conversas profundas e conversa fiada, compartilhamento de sonhos, comida à mesa, caminhada ao ar livre e outras práticas, realizadas com pessoas importantes, ações assim que tantas lembranças constituíram, é o que me trouxe e me traz tanta felicidade. E pensar que isso não custa um centavo sequer... 

O que não percebemos, por vezes, é que o essencial para sermos felizes está, quase sempre, bem diante do nosso nariz. Quando terminei de assistir o filme pela terceira vez com minha filha, disse a ela que eu era grato pela vida que vivi até aqui, pois foi essa vida, inclusive, que me trouxe ela, minha filha amada. Me senti motivado a viver a vida como ela é, explorando justamente a sua beleza não percebida; beleza que é enuviada em nossos dias pela ansiedade, ganância, obsessão por mais e mais produtividade, aceleração, notificações e tela sem fim...  

Ontem fui soltar pipa com meu enteado amado, Josué; a noite, encarei demoradamente o rosto da minha noiva, Márcia - fiquei apreciando a sua beleza e o seu jeitinho meigo de ser; na semana passada assisti um filme incrível com minha filha amada, Ester... Acho que estou aprendendo o que é felicidade e estou feliz nesse aprendizado... Sigo sonhando, mas apreciando a beleza do que me é dado gratuitamente e buscando desfrutar disso da melhor forma. O essencial é o que me basta e o que me faz feliz.


terça-feira, 9 de junho de 2026

Assembleias de Deus e regresso à Idade Média (repostagem)

Imagem: gerada por ChatGPT (OpenAI), 9 jun. 2026.

Por Roney Cozzer

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A incoerência do título é proposital, afinal, a nossa querida igreja Assembleias de Deus, denominação pioneira do Pentecostalismo, nasceu em solo brasileiro, no século XX, mais precisamente em 1911 na cidade de Belém do Pará, no Norte do Brasil, uma data bem distante do final da Idade Média. Todavia, algumas vezes protagonizamos alguns fatos que me fazem pensar que estamos regressando à Idade Média. As Assembleias de Deus sempre foram conhecidas pelo rigorismo de seus usos e costumes, o que mudou significativamente nos últimos anos, como sabemos. 

A meu ver, os excessos podem ser encontrados em ambos os lados: do conservadorismo e do "liberalismo" quando o assunto é usos e costumes. Existem aqueles que veem pecado em tudo e aqueles que não veem pecado em nada. Nessa hora, é preciso equilíbrio. Mas é fato que a questão dos usos e costumes levada a extremos deu lugar a muita religiosidade, incompreensão do significado de uma verdadeira vida e conduta cristãs e a atitudes excludentes em nosso meio

Não podemos negar que vimos muitos absurdos serem perpetrados em nome da “sã doutrina”. E quando pensamos que a igreja progride no sentido de superar essas absurdidades religiosas, presenciamos algo como o que aconteceu recentemente no Mato Grosso. Uma convenção das Assembleias de Deus emitiu uma resolução, assinada pelo seu presidente, em que faz uma grosseira confusão entre usos e costumes e o que preceitua a Palavra de Deus em termos de doutrina. Ao ler a carta, senti como se estivéssemos retornando à Idade Média, ou como se parte da denominação estivesse tentando reviver esse período histórico, em que a superstição religiosa imperou de modo significativo e as pessoas não tinham maior acesso às Escrituras. 

A resolução emitida pela convenção chega ao absurdo de afirmar que Deus classificou o aparelho televisor como maldito e que a Igreja e o ministério devem abster-se do uso da bateria, os homens do uso da barba (aí doeu em mim) e de divertimentos mundanos como frequentar cinemas! Acredite se quiser, mas este é o teor da carta...

O que mais me chocou, contudo, foi a convenção ter incluído no texto da sua resolução algumas referências bíblicas para legitimar essas medidas, quando no contexto histórico-cultural desses textos bíblicos sequer existiam bateria, cinema e o aparelho televisor. A barba sim, esta era amplamente usada e valorizada pelos judeus e que, curiosamente, a convenção proíbe hoje. Já que eles estão usando a Bíblia, a barba deveria ser valorizada, não? A incoerência é tanta que eles fazem um uso bizarro de Amós 5.23 para justificar a abstenção do uso da bateria! Mas o texto de Amós 5 trata-se, na verdade, de uma advertência contra a "casa de Israel" e que nada, absolutamente nada tem que ver com instrumentos musicais em si.

Extremos como esses fazem uma denominação séria como as Assembleias de Deus parecerem um segmento de pessoas lunáticas e desprovidas de bom senso. O cenário sociocultural da Bíblia é muito distinto do nosso. Querer impor determinados usos e costumes a outras culturas em nome da "santidade" representa, em muitos casos, uma franca agressão às pessoas e nada tem de genuinamente bíblico. 

A moralidade é relativa e é sempre um risco usar a Bíblia para legitimar determinado conjunto de valores tidos como morais. Por exemplo, uma mulher com os seios à mostra em nossas ruas implicaria num atentado ao pudor, mas uma mulher com os seios à mostra numa determinada aldeia indígena seria uma ocorrência comum e que sequer chamaria a atenção. O fato é que ambas as mulheres, respeitando seus respectivos contextos culturais, podem se santas na melhor acepção da palavra “santa”, mostrando ou não os seus seios. Em nossa cultura, uma mulher deixar os seios à mostra assume uma conotação lasciva, ao passo que numa cultura indígena o significado de tal ato nada pode vir a ter com a lascívia. São contextos diferentes com implicações diferentes. 

Sabemos que as culturas variam, mas a Palavra de Deus permanece! A lascívia é pecado, os seios não. Mas infelizmente, como disse Jesus, é coar um mosquito e engolir um camelo, é jogar fora a misericórdia e prezar por ritos e práticas sem nenhum sentido, é ignorar o cerne do evangelho e cultivar uma religiosidade mecânica, marcada por um conjunto de ditames mórbidos sem sentido.
 
Minha oração é no sentido de que possamos voltar ao puro e simples evangelho de Jesus, entendendo o real significado de uma vida santa e que, como proclamou Amós, “Corra, porém, o juízo como as águas, e a justiça como o ribeiro impetuoso” (Amós 5.24) entre nós. Este sim é um preceito atemporal e supracultural! Não deixamos de reconhecer que há convenções sérias e pastores sérios, e que lideranças com posturas absurdas como essas não representam a totalidade das Assembleias de Deus brasileiras, mas infelizmente nossa denominação tem convivido muito com esses excessos que precisam ser combatidos, sobretudo, à luz da Palavra de Deus.

Roney Cozzer... de barba, é claro!

Fonte: COZZER, Roney R. Assembleia de Deus e regresso à Idade Média... Facebook. 04 jun. 2019 [Site]. Disponível em: <https://www.facebook.com/roneyricardocozzer/posts/pfbid02fe7c1x9MmqdmyaDXGy9LqRUZpgXBUs8ikrCf7TQGfP3JPZgro6Yx3aRaAGo5GgHrl>. Acesso em 09 jun. 2026.

quinta-feira, 30 de abril de 2026

Transtorno ou comportamento a ser melhorado?

Por Roney Cozzer

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Prezado leitor, prezada leitora, nas linhas que se seguem não quero parecer fatalista ou mesmo reducionista quanto aos assuntos nos quais toco levemente. É claro que eles precisam ser considerados um a um cuidadosamente, levando em conta especificidades, variáveis e contextos. Mas sejamos honestos: as pessoas, hoje, tem a irritante mania de romantizar comportamentos ruins e transformá-los em algum tipo de transtorno, quando, na verdade, deveriam sim reconhecer que é só questão de comportamento. Tudo hoje é autismo, TDAH, falta de oportunidade, vitimismo, etc.

Nem sempre se trata de autismo; por vezes, é somente incapacidade de sociabilidade mesmo. Nem sempre é TDAH; por vezes, é só falta de atenção, de interesse e, logo, de foco. Basta treinar a mente e se reeducar... Parar de assistir inúmeros vídeos curtos e desenvolver o hábito da leitura já é um excelente passo nessa direção. 

Nem sempre é "comportamento tipicamente adolescente"; por vezes, é falta de educação e estupidez mesmo. Adolescentes são indivíduos capazes de dizer "Bom dia", "Boa tarde", "Tudo bem?" "Como posso ajudar?" etc., bastando apenas receberem esse tipo de educação para conviver bem com as pessoas. 

Nem sempre é o meio ou falta de oportunidade; por vezes, o que acontece é que há muita preguiça, acomodação e falta de coragem para buscar criar as próprias oportunidades e progredir na vida. Nem sempre é complexo de inferioridade, mas sim o fato de que você está diante de pessoas que sim, são melhores do que você! E isso não deveria ser visto como algo ruim, já que conviver com pessoas melhores do que nós tende a nos "puxar para cima".

Nem sempre é perseguição que você está sofrendo na família, ou no trabalho, ou na igreja ou em qualquer outro ambiente. Pode ser simplesmente que você seja desagradável, difícil de conviver, inflexível, um mal profissional... 

Nem sempre a questão é que "esse é o meu jeito" ou "é o meu temperamento". As pessoas romantizam a grosseria e a incapacidade de respeitar o outro usando para isso os temperamentos. Há aqueles que dizem assim: "Falo a verdade doa a quem doer". Veem isso como uma qualidade, como sinônimo de transparência quando, na prática, é só a incapacidade de se comunicar respeitosamente, de mudar a abordagem que faz às pessoas, de amadurecer, de se corrigir. É só você insistindo em ser uma pessoa que as outras pessoas querem evitar e, provavelmente, com boa razão para isso.

Percebeu? Temos a tendência de terceirizar nossos males, de transferir a outros e a fatores as nossas dificuldades e deficiências, quando faríamos bem em assumi-las. O reconhecimento dos nossos defeitos é o primeiro passo para a sua superação. Um amigo me disse certa vez: 

"Roney, nunca transfira para os outros a culpa pelos SEUS fracassos. Você é culpado pelos seus fracassos". 

Doeu ouvir isso, mas foi didático. Deixei o mimimi de lado e passei a buscar me encarar de forma mais honesta, reconhecendo meus limites, comportamentos desagradáveis, defeitos que tenho... 


domingo, 26 de abril de 2026

𝐂𝐨𝐢𝐬𝐚𝐬 𝐪𝐮𝐞 𝐚 𝐈𝐠𝐫𝐞𝐣𝐚 𝐦𝐞 𝐞𝐧𝐬𝐢𝐧𝐨𝐮 𝐞 𝐞𝐮 𝐝𝐞𝐬𝐚𝐩𝐫𝐞𝐧𝐝𝐢 - 𝐠𝐫𝐚ç𝐚𝐬 𝐚 𝐃𝐞𝐮𝐬! (𝐩𝐚𝐫𝐭𝐞 𝟒)


Por Roney Cozzer

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Seguindo com a nossa série de reflexões, fico feliz desta feita em afirmar que, graças ao nosso bom Deus, desaprendi a ideia de que QUEM PROFETIZA, FALA EM LÍNGUAS E TEM DONS ESPIRITUAIS é mais santo e mais espiritual. A Igreja me ensinou isso não de forma explícita, direta, mas sim quando reputou por "frios" aqueles que não atendiam a esse estereótipo e no preconceito que dedicou a mim, enquanto teólogo. Vi pessoas serem ovacionadas em igrejas evangélicas não por seu caráter, pela forma como tratavam suas famílias ou pela dedicação ao que é bom, mas apenas pelo seu talento.

Sou pentecostal e valorizo o fervor espiritual, como também creio na livre distribuição dos dons espirituais pelo Espírito Santo aos crentes, mas também acredito que isso não necessariamente atesta vida espiritual saudável. Com o grande sociólogo Zygmunt Bauman aprendi que a sociedade pós-moderna (ou sociedade líquida) valoriza mais a ESTÉTICA do que a ÉTICA. A experiência no interior de igrejas evangélicas me mostrou que a Igreja também opera com essa mesma escala de valores, igualando-se ao mundo que ela tanto critica...

Nem sempre talento anda de mãos dadas com caráter. Por vezes reputamos como "cristãos frios" pessoas que são íntegras, de oração, corretas em seus negócios e que dão excelente testemunho, enquanto laureamos pessoas estranhas que nem conhecemos; as admiramos apenas porque pregam, cantam ou possuem algum talento que chama a atenção. Todavia, esse modus operandi típico dos evangélicos já é, por si só, sintomático do adoecimento da Igreja. Isso é uma inversão de valores!

O evangelho de Cristo sinaliza para o ser mais do que para o ter. O dom deve ser um serviço, não uma vitrine. Há muitos Geazis entre nós, gananciosos por presentes, todavia, precisamos de mais apóstolos Paulos, pessoas altruístas, que gastam e se deixam gastar pelas pessoas e que, como diria o apóstolo Pedro, não fazem da obra de Deus motivo de negócio.

𝐂𝐨𝐢𝐬𝐚𝐬 𝐪𝐮𝐞 𝐚 𝐈𝐠𝐫𝐞𝐣𝐚 𝐦𝐞 𝐞𝐧𝐬𝐢𝐧𝐨𝐮 𝐞 𝐞𝐮 𝐝𝐞𝐬𝐚𝐩𝐫𝐞𝐧𝐝𝐢 - 𝐠𝐫𝐚ç𝐚𝐬 𝐚 𝐃𝐞𝐮𝐬! (𝐩𝐚𝐫𝐭𝐞 𝟑)

 

Por Roney Cozzer

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Dando continuidade à nossa série, quero refletir sobre a concepção teológica de que ISRAEL, POR SER O POVO ELEITO DE DEUS, RECEBE UM TRATAMENTO ESPECIAL DELE. Esse é um entendimento muito cristalizado na mente dos evangélicos brasileiros e suspeito que isso se deve, em grande medida, à tremenda influência do Dispensacionalismo.

Essa compreensão tem levado a igreja a simplesmente ignorar as barbaridades cometidas pelo atual Estado de Israel. Oram por Israel, mas silenciam quanto às populações árabes que sofrem os flagelos da guerra.

Tive o desprazer de conversar com um senhor evangélico que defendeu irrestritamente o genocídio praticado por Israel em Gaza. Indaguei a ele se era mesmo possível legitimar o genocídio de dezenas de milhares de pessoas, em sua maioria esmagadora mulheres e crianças, praticado por um Estado assassino. A resposta dele foi que isso seria uma "consequência da guerra".

Certa feita, numa igreja batista, afirmei que aquele deus do Antigo Testamento que ordena a morte de mulheres e crianças de colo foi superado no Deus de Jesus Cristo, que envia seu Filho por amor à humanidade a fim de salvá-la, o que fez com que eu fosse hostilizado. Isso aconteceu justamente à ocasião em que Israel já devastava Gaza assassinando milhares de civis. Entendi o motivo da revolta contra o meu discurso...

Me pergunto se esse tipo de mentalidade é fruto só de ignorância mesmo ou de corações perversos de pessoas que, conquanto passem a vida no interior de igrejas, nunca entenderam o evangelho. Não é exagero afirmar que se estabeleceu uma idolatria tosca de Israel no meio evangélico.

Graças a Deus desaprendi isso! A leitura de Romanos 1 a 3, Efésios 2 e Colossenses 3, além de muitos outros textos do Antigo e do Novo Testamentos me conduziram a um entendimento mais maduro da questão. Em Cristo, somos nivelados, judeus e gentios. Deus amou o mundo, não apenas um povo...

A santidade de Deus deve nos levar a reprovar o erro onde quer que ele se encontre. Direitos humanos e paz são valores aos quais todo cristão deve se apegar e reprovar qualquer nação e governo que os pise.

quinta-feira, 9 de abril de 2026

𝐂𝐨𝐢𝐬𝐚𝐬 𝐪𝐮𝐞 𝐚 𝐈𝐠𝐫𝐞𝐣𝐚 𝐦𝐞 𝐞𝐧𝐬𝐢𝐧𝐨𝐮 𝐞 𝐞𝐮 𝐝𝐞𝐬𝐚𝐩𝐫𝐞𝐧𝐝𝐢 - 𝐠𝐫𝐚ç𝐚𝐬 𝐚 𝐃𝐞𝐮𝐬! (𝐩𝐚𝐫𝐭𝐞 𝟐)

Por Roney Cozzer

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Uma das coisas que a Igreja me ensinou e eu desaprendi é que a FILOSOFIA É COISA DO DIABO. E mesmo quando isso não era dito ou ensinado de forma explícita, não faltavam olhares inquisitórios quando se mencionava a Filosofia. Em alguns contextos religiosos evangélicos, os filósofos quase sempre são demonizados e o seu pensamento visto como ameaça à verdade.

Mesmo teólogos reformados, geralmente reputados como mais intelectuais, acabam por inferir que a Filosofia serve ao engano. Outras ciências importantes para a humanidade também sofrem com esse tipo de preconceito religioso, como a Psicanálise, por exemplo.

Essa resistência, longe de ser sinal de esclarecimento intelectual, evidencia, a meu ver, anti-intelectualismo. E arriscaria dizer que sinaliza também para insegurança quanto à própria fé. Se estou seguro daquilo em que creio e amadurecido em minha relação com o Evangelho, por que não dialogar com correntes de pensamento que possam oferecer contribuições e, por que não, contrapontos ao que penso?

Rejeitar a Filosofia sob a alegação de que ela corrompe a fé me parece impróprio, já que qualquer forma de conhecimento possui problemas, inclusive a Teologia ortodoxa... Portanto, usar esse fato para descartar a Filosofia não me parece honesto.

Amo a Filosofia! O filósofo italiano Nicola Abbagnano escreveu: 

"Filosofia é o uso do saber em proveito do homem. Platão observa que de nada serviria possuir a capacidade de transformar pedras em ouro a quem não soubesse utilizar o ouro, de nada serviria uma ciência que tornasse imortal a quem não soubesse utilizar a imortalidade..." (Dicionário de Filosofia, 1982, p. 442).

Filosofia e Teologia sempre andaram juntas na história da Igreja e, em determinado período, eram até mesmo inseparáveis. Grandes pensadores cristãos foram filósofos de primeira grandeza: Agostinho, Aquino, Kierkegaard, Tillich... 

Estudar Filosofia me humaniza ainda mais, expande minha mente e provoca em mim deslumbramento. Ela contribui, inclusive, para combater a alienação sob diversas formas.


𝐂𝐨𝐢𝐬𝐚𝐬 𝐪𝐮𝐞 𝐚 𝐈𝐠𝐫𝐞𝐣𝐚 𝐦𝐞 𝐞𝐧𝐬𝐢𝐧𝐨𝐮 𝐞 𝐞𝐮 𝐝𝐞𝐬𝐚𝐩𝐫𝐞𝐧𝐝𝐢 - 𝐠𝐫𝐚ç𝐚𝐬 𝐚 𝐃𝐞𝐮𝐬! (𝐩𝐚𝐫𝐭𝐞 𝟏)

Imagem criada por IA - Gemini

Por Roney Cozzer

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É bem verdade que a igreja nos ensina muitas coisas boas. Minha vivência no interior da religião, desde a primeira infância, foi absolutamente importante para a minha formação humana. Mas é verdade também que a igreja nos ensinou muitas coisas que ainda precisam ser superadas.

No início de nossa caminhada de fé, tendemos a sacralizar tudo que recebemos nesse pacote religioso, encarando esses conteúdos como verdades inquestionáveis, como a "sã doutrina", mas o fato é que essa "sã doutrina", por vezes, tem sido motivo para o adoecimento emocional de muitos.

Com o passar dos anos, fui amadurecendo e sendo "confrontado" positivamente pela vida e aprendendo "aos pés" de ciências como a Teologia e a Psicanálise. E, sobretudo, sigo aprendendo com o evangelho de Jesus, de modo que à luz desse aprendizado, diversas ideias religiosas perderam o sentido para mim.

Uma dessas ideias é a de que O OBREIRO CRISTÃO PRECISA SE MOSTRAR SEMPRE FORTE, FIRME E INABALÁVEL. Eu fui um jovem obreiro nas Assembleias de Deus e convivi muito com essa concepção. Suspeito, inclusive, que na base dessa compreensão há uma dose alta de machismo, afinal, homem de verdade não demonstra fraqueza.

Quando vejo Jesus, no entanto, se dirigindo a outros homens como ele: "Estou angustiado até a morte", vejo nisso muita coragem! De fato, é preciso coragem para se expor dessa forma. Quando identifico as fragilidades e emoções humanas manifestas em palavras e ações de vultos das narrativas bíblicas aprendo muito com isso. É significativo que a Bíblia tenha preservado esses aspectos. Isso nos ensina muito. E também aprendo com a Psicanálise que nos ensina que aquilo que reprimimos, pode voltar em forma de doenças psíquicas como fobias, ansiedade e outras.

Diante disso, hoje, rejeito veementemente essa ideia religiosa de que o obreiro cristão precisa ser sempre forte. Meu conselho é: fuja desse estereótipo, fale sobre seus problemas e crises internas, evidencie suas fraquezas e angústias, "abra o coração". Chore quando sentir vontade. Isso faz bem! Isso não é sinônimo de fraqueza. Só não se exponha a pessoas que não lhe amam, de fato. 

Felicidade

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