domingo, 26 de abril de 2026

𝐂𝐨𝐢𝐬𝐚𝐬 𝐪𝐮𝐞 𝐚 𝐈𝐠𝐫𝐞𝐣𝐚 𝐦𝐞 𝐞𝐧𝐬𝐢𝐧𝐨𝐮 𝐞 𝐞𝐮 𝐝𝐞𝐬𝐚𝐩𝐫𝐞𝐧𝐝𝐢 - 𝐠𝐫𝐚ç𝐚𝐬 𝐚 𝐃𝐞𝐮𝐬! (𝐩𝐚𝐫𝐭𝐞 𝟒)


Por Roney Cozzer

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Seguindo com a nossa série de reflexões, fico feliz desta feita em afirmar que, graças ao nosso bom Deus, desaprendi a ideia de que QUEM PROFETIZA, FALA EM LÍNGUAS E TEM DONS ESPIRITUAIS é mais santo e mais espiritual. A Igreja me ensinou isso não de forma explícita, direta, mas sim quando reputou por "frios" aqueles que não atendiam a esse estereótipo e no preconceito que dedicou a mim, enquanto teólogo. Vi pessoas serem ovacionadas em igrejas evangélicas não por seu caráter, pela forma como tratavam suas famílias ou pela dedicação ao que é bom, mas apenas pelo seu talento.

Sou pentecostal e valorizo o fervor espiritual, como também creio na livre distribuição dos dons espirituais pelo Espírito Santo aos crentes, mas também acredito que isso não necessariamente atesta vida espiritual saudável. Com o grande sociólogo Zygmunt Bauman aprendi que a sociedade pós-moderna (ou sociedade líquida) valoriza mais a ESTÉTICA do que a ÉTICA. A experiência no interior de igrejas evangélicas me mostrou que a Igreja também opera com essa mesma escala de valores, igualando-se ao mundo que ela tanto critica...

Nem sempre talento anda de mãos dadas com caráter. Por vezes reputamos como "cristãos frios" pessoas que são íntegras, de oração, corretas em seus negócios e que dão excelente testemunho, enquanto laureamos pessoas estranhas que nem conhecemos; as admiramos apenas porque pregam, cantam ou possuem algum talento que chama a atenção. Todavia, esse modus operandi típico dos evangélicos já é, por si só, sintomático do adoecimento da Igreja. Isso é uma inversão de valores!

O evangelho de Cristo sinaliza para o ser mais do que para o ter. O dom deve ser um serviço, não uma vitrine. Há muitos Geazis entre nós, gananciosos por presentes, todavia, precisamos de mais apóstolos Paulos, pessoas altruístas, que gastam e se deixam gastar pelas pessoas e que, como diria o apóstolo Pedro, não fazem da obra de Deus motivo de negócio.

𝐂𝐨𝐢𝐬𝐚𝐬 𝐪𝐮𝐞 𝐚 𝐈𝐠𝐫𝐞𝐣𝐚 𝐦𝐞 𝐞𝐧𝐬𝐢𝐧𝐨𝐮 𝐞 𝐞𝐮 𝐝𝐞𝐬𝐚𝐩𝐫𝐞𝐧𝐝𝐢 - 𝐠𝐫𝐚ç𝐚𝐬 𝐚 𝐃𝐞𝐮𝐬! (𝐩𝐚𝐫𝐭𝐞 𝟑)

 

Por Roney Cozzer

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Dando continuidade à nossa série, quero refletir sobre a concepção teológica de que ISRAEL, POR SER O POVO ELEITO DE DEUS, RECEBE UM TRATAMENTO ESPECIAL DELE. Esse é um entendimento muito cristalizado na mente dos evangélicos brasileiros e suspeito que isso se deve, em grande medida, à tremenda influência do Dispensacionalismo.

Essa compreensão tem levado a igreja a simplesmente ignorar as barbaridades cometidas pelo atual Estado de Israel. Oram por Israel, mas silenciam quanto às populações árabes que sofrem os flagelos da guerra.

Tive o desprazer de conversar com um senhor evangélico que defendeu irrestritamente o genocídio praticado por Israel em Gaza. Indaguei a ele se era mesmo possível legitimar o genocídio de dezenas de milhares de pessoas, em sua maioria esmagadora mulheres e crianças, praticado por um Estado assassino. A resposta dele foi que isso seria uma "consequência da guerra".

Certa feita, numa igreja batista, afirmei que aquele deus do Antigo Testamento que ordena a morte de mulheres e crianças de colo foi superado no Deus de Jesus Cristo, que envia seu Filho por amor à humanidade a fim de salvá-la, o que fez com que eu fosse hostilizado. Isso aconteceu justamente à ocasião em que Israel já devastava Gaza assassinando milhares de civis. Entendi o motivo da revolta contra o meu discurso...

Me pergunto se esse tipo de mentalidade é fruto só de ignorância mesmo ou de corações perversos de pessoas que, conquanto passem a vida no interior de igrejas, nunca entenderam o evangelho. Não é exagero afirmar que se estabeleceu uma idolatria tosca de Israel no meio evangélico.

Graças a Deus desaprendi isso! A leitura de Romanos 1 a 3, Efésios 2 e Colossenses 3, além de muitos outros textos do Antigo e do Novo Testamentos me conduziram a um entendimento mais maduro da questão. Em Cristo, somos nivelados, judeus e gentios. Deus amou o mundo, não apenas um povo...

A santidade de Deus deve nos levar a reprovar o erro onde quer que ele se encontre. Direitos humanos e paz são valores aos quais todo cristão deve se apegar e reprovar qualquer nação e governo que os pise.

quinta-feira, 9 de abril de 2026

𝐂𝐨𝐢𝐬𝐚𝐬 𝐪𝐮𝐞 𝐚 𝐈𝐠𝐫𝐞𝐣𝐚 𝐦𝐞 𝐞𝐧𝐬𝐢𝐧𝐨𝐮 𝐞 𝐞𝐮 𝐝𝐞𝐬𝐚𝐩𝐫𝐞𝐧𝐝𝐢 - 𝐠𝐫𝐚ç𝐚𝐬 𝐚 𝐃𝐞𝐮𝐬! (𝐩𝐚𝐫𝐭𝐞 𝟐)

Por Roney Cozzer

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Uma das coisas que a Igreja me ensinou e eu desaprendi é que a FILOSOFIA É COISA DO DIABO. E mesmo quando isso não era dito ou ensinado de forma explícita, não faltavam olhares inquisitórios quando se mencionava a Filosofia. Em alguns contextos religiosos evangélicos, os filósofos quase sempre são demonizados e o seu pensamento visto como ameaça à verdade.

Mesmo teólogos reformados, geralmente reputados como mais intelectuais, acabam por inferir que a Filosofia serve ao engano. Outras ciências importantes para a humanidade também sofrem com esse tipo de preconceito religioso, como a Psicanálise, por exemplo.

Essa resistência, longe de ser sinal de esclarecimento intelectual, evidencia, a meu ver, anti-intelectualismo. E arriscaria dizer que sinaliza também para insegurança quanto à própria fé. Se estou seguro daquilo em que creio e amadurecido em minha relação com o Evangelho, por que não dialogar com correntes de pensamento que possam oferecer contribuições e, por que não, contrapontos ao que penso?

Rejeitar a Filosofia sob a alegação de que ela corrompe a fé me parece impróprio, já que qualquer forma de conhecimento possui problemas, inclusive a Teologia ortodoxa... Portanto, usar esse fato para descartar a Filosofia não me parece honesto.

Amo a Filosofia! O filósofo italiano Nicola Abbagnano escreveu: 

"Filosofia é o uso do saber em proveito do homem. Platão observa que de nada serviria possuir a capacidade de transformar pedras em ouro a quem não soubesse utilizar o ouro, de nada serviria uma ciência que tornasse imortal a quem não soubesse utilizar a imortalidade..." (Dicionário de Filosofia, 1982, p. 442).

Filosofia e Teologia sempre andaram juntas na história da Igreja e, em determinado período, eram até mesmo inseparáveis. Grandes pensadores cristãos foram filósofos de primeira grandeza: Agostinho, Aquino, Kierkegaard, Tillich... 

Estudar Filosofia me humaniza ainda mais, expande minha mente e provoca em mim deslumbramento. Ela contribui, inclusive, para combater a alienação sob diversas formas.


𝐂𝐨𝐢𝐬𝐚𝐬 𝐪𝐮𝐞 𝐚 𝐈𝐠𝐫𝐞𝐣𝐚 𝐦𝐞 𝐞𝐧𝐬𝐢𝐧𝐨𝐮 𝐞 𝐞𝐮 𝐝𝐞𝐬𝐚𝐩𝐫𝐞𝐧𝐝𝐢 - 𝐠𝐫𝐚ç𝐚𝐬 𝐚 𝐃𝐞𝐮𝐬! (𝐩𝐚𝐫𝐭𝐞 𝟏)

Imagem criada por IA - Gemini

Por Roney Cozzer

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É bem verdade que a igreja nos ensina muitas coisas boas. Minha vivência no interior da religião, desde a primeira infância, foi absolutamente importante para a minha formação humana. Mas é verdade também que a igreja nos ensinou muitas coisas que ainda precisam ser superadas.

No início de nossa caminhada de fé, tendemos a sacralizar tudo que recebemos nesse pacote religioso, encarando esses conteúdos como verdades inquestionáveis, como a "sã doutrina", mas o fato é que essa "sã doutrina", por vezes, tem sido motivo para o adoecimento emocional de muitos.

Com o passar dos anos, fui amadurecendo e sendo "confrontado" positivamente pela vida e aprendendo "aos pés" de ciências como a Teologia e a Psicanálise. E, sobretudo, sigo aprendendo com o evangelho de Jesus, de modo que à luz desse aprendizado, diversas ideias religiosas perderam o sentido para mim.

Uma dessas ideias é a de que O OBREIRO CRISTÃO PRECISA SE MOSTRAR SEMPRE FORTE, FIRME E INABALÁVEL. Eu fui um jovem obreiro nas Assembleias de Deus e convivi muito com essa concepção. Suspeito, inclusive, que na base dessa compreensão há uma dose alta de machismo, afinal, homem de verdade não demonstra fraqueza.

Quando vejo Jesus, no entanto, se dirigindo a outros homens como ele: "Estou angustiado até a morte", vejo nisso muita coragem! De fato, é preciso coragem para se expor dessa forma. Quando identifico as fragilidades e emoções humanas manifestas em palavras e ações de vultos das narrativas bíblicas aprendo muito com isso. É significativo que a Bíblia tenha preservado esses aspectos. Isso nos ensina muito. E também aprendo com a Psicanálise que nos ensina que aquilo que reprimimos, pode voltar em forma de doenças psíquicas como fobias, ansiedade e outras.

Diante disso, hoje, rejeito veementemente essa ideia religiosa de que o obreiro cristão precisa ser sempre forte. Meu conselho é: fuja desse estereótipo, fale sobre seus problemas e crises internas, evidencie suas fraquezas e angústias, "abra o coração". Chore quando sentir vontade. Isso faz bem! Isso não é sinônimo de fraqueza. Só não se exponha a pessoas que não lhe amam, de fato. 

terça-feira, 31 de março de 2026

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domingo, 29 de março de 2026

Classificações para o livro de Salmos - os Salmos imprecatórios 📖

Classificações para o livro de Salmos

"Os Salmos eram cânticos funcionais compostos e reunidos numa coletânea pelos israelitas antigos para uso no culto. Hermeneuticamente podemos dividir e classificar os Salmos quanto ao seu uso. Alguns estudiosos definem cinco classificações para os Salmos, outros  estudiosos defendem quatro classificações e outros ainda subdividem as classificações. Há no mínimo sete classificações ou divisões para os Salmos quanto à natureza de sua mensagem.

W. T. Purkiser (2005) chega a afirmar que embora existam muitas tentativas de classificar os Salmos, “[...] nenhuma delas é inteiramente satisfatória. Certo número de salmos contém materiais de mais de um tipo, tornando qualquer tentativa de classificação necessariamente experimental” (Comentário bíblico Beacon, vol. 3, 2005, p. 106). O referido autor classifica os salmos em sete categorias, a saber: 

1. Salmos de Sabedoria e Contraste Moral (salmos 1, 9, 10, 12, 14, 19, 25, 34, 36, 37, 49, 50, 52, 53, 73, 78, 82, 92, 94, 111, 112, 119);

2. Salmos Reais e Messiânicos (2, 16, 22, 40, 45, 68, 72, 89, 101, 110, 144);

3. Cânticos de Lamentações, Individual e Nacional (3-5, 7, 11, 13, 17, 26-28, 31, 39, 41-44, 54-57, 59-64, 70, 71, 74, 77, 79, 80, 86, 88, 90, 140-142);

4. Salmos de Penitência (6, 32, 38, 51, 102, 130, 143);

5. Salmos de Devoção, Adoração, Louvor e Ação de Graça (8, 18, 23, 29, 30, 33, 46-48, 65-67, 75, 76, 81, 85, 87, 91, 103-108, 135, 136, 138, 139, 145-150);

6. Salmos Litúrgicos (15, 20, 21, 24, 84, 95-100, 113-118, 120-134) e,

7. Salmos Imprecatórios (35, 58, 69, 83, 109, 137) (Comentário bíblico Beacon, vol. 3, 2005, p. 106)".


Texto extraído da Enciclopédia teológica numa perspectiva transdisciplinar, vol. 1, 2020, p. 635.

sábado, 28 de fevereiro de 2026

"O pobre é sempre sábio", por Milton Santos


Por Roney Cozzer

Há muito discernimento nesta frase!

Aviso: este não é um post de romantização da pobreza.

Nunca passei fome, mas sei o que é pobreza. Já se passaram mais de 25 anos, mas eu ainda me lembro, parece que posso rever a cena de meu amado pai, assentado, no chão da sala de casa, conversando comigo sobre a sua dificuldade financeira. Naquela ocasião ele me disse: "Meu filho, passamos uma quinzena com R$ 40".

Nossa vida sempre foi muito simples e morando em região de periferia. A nossa família era composta por cinco pessoas. As coisas não eram fáceis. Meu pai era analfabeto e trabalhava como portuário. Às vezes tinha trabalho, às vezes não. O trajeto trabalho-casa ele fazia sempre em sua velha bicicleta, companheira de anos, que testemunharia sua morte e também morreria, junto com ele, ambos, vitimados por um motorista alcoolizado, poucos dias depois dessa nossa conversa na sala de casa.

O grande geógrafo brasileiro Milton Santos estava certo quando disse que "a experiência da escassez é o caminho da descoberta do que eu valho realmente". A despeito das dificuldades econômicas e sociais com as quais convivi, pude experimentar o amor de um pai provedor, um trabalhador que cuidou da família, um homem que cessou sua vida voltando da lide; pude ser agraciado com o amor acolhedor de uma mãe generosa que tanto me ensinou e também o carinho de irmãos que comigo caminharam.

Essa vivência, muitas vezes na escassez, impingiu na minha alma a maravilhosa sensação de ser amado por quem sou. Foi uma universidade na qual aprendi a partilha, a olhar o outro, a viver em comunidade.

Foram anos memoráveis! As lições? Carrego comigo e permito que elas retornem para outras pessoas por meio da paternidade, do amor conjugal, na concretude de gestos, acolhida, escuta atenta, generosidade, sensibilidade ao sofrimento do outro.

Esses dias me peguei emocionado quando me dei conta de que estava cozinhando para minha noiva e para minha filha... igualzinho o meu pai fazia diariamente... Estaria eu me tornando um grande homem como ele foi?

𝐂𝐨𝐢𝐬𝐚𝐬 𝐪𝐮𝐞 𝐚 𝐈𝐠𝐫𝐞𝐣𝐚 𝐦𝐞 𝐞𝐧𝐬𝐢𝐧𝐨𝐮 𝐞 𝐞𝐮 𝐝𝐞𝐬𝐚𝐩𝐫𝐞𝐧𝐝𝐢 - 𝐠𝐫𝐚ç𝐚𝐬 𝐚 𝐃𝐞𝐮𝐬! (𝐩𝐚𝐫𝐭𝐞 𝟒)

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