domingo, 21 de fevereiro de 2021

QUANDO RENDER-SE É VENCER (ESBOÇO DE SERMÃO)


TEXTO BÍBLICO BASE

"Pelo contrário, fiz calar e sossegar a minha alma. Como a criança desmamada se aquieta nos braços de sua mãe, assim é a minha alma dentro de mim" (Salmo 131.2).


INTRODUÇÃO

A palavra "rendição" é muito utilizada no contexto militar. Fala-se em rendição de uma nação à outra em casos de conflitos militares. "Render-se" nesse contexto significa "entregar-se", "dar-se por vencido", e implica cessar as atividades militares de combate. E representa humilhação e constrangimento para a nação que se rendeu. Mas as palavras em geral são polissêmicas. Elas possuem vários sentidos. Neste sermão, pegando emprestado o sentido da palavra "rendição" no contexto militar e adaptando-o ao nosso propósito aqui, refletiremos sobre a importância de "baixar as nossas armas", de nos entregarmos para assim vencermos. Os caminhos de Deus muitas vezes são contrários aos caminhos dos homens, de modo que para Deus, os humilhados serão exaltados, os últimos serão os primeiros e o menor será o maior. Desse modo, na perspectiva cristã, render-se por vezes é vencer, e não ser derrotado. Neste sermão, serão abordadas ao menos cinco formas de rendição: 1. a rendição para a cura de feridas antigas; 2. rendição ao cicio suave; 3. rendição para a cura; 4. rendição para ser perdoador e, 5. rendição para cumprir a vontade de Deus.


1. RENDIÇÃO PARA CURAR FERIDAS ANTIGAS

Jacó é um dos personagens mais emblemáticos das Escrituras, sem dúvida. Ele mentiu para enganar seu pai e assim roubar a bênção do seu irmão, Esaú (Gn 27) e na sequência foge para Padã-Arã. Há uma expressão bíblica muito forte a respeito da postura de Esaú face a esse episódio: "Daquele momento em diante, Esaú passou a odiar Jacó porque seu pai o havia abençoado". 

Os anos se passam, Jacó se casa com Lia e com Raquel, suas riquezas aumentam, ele foge de Labão (seu sogro) e no capítulo 32 de Gênesis, ele encontra-se com "um homem" (Gn 32.24), com o qual luta até o amanhecer. No capítulo 33, o passado vem ao encontro de Jacó: seu irmão, Esaú, com 400 homens! Mas longe de querer e poder lutar, ou enganar outra vez, ou mesmo fugir, desta feita ele não mais foge, mas vai ao encontro de seu irmão, prostrando-se antes por sete vezes. Ele se humilha! Rende-se para curar feridas antigas que ele provocara e que provavelmente ele contribuíra para provocar nele mesmo.


2. RENDIÇÃO AO CICIO SUAVE

O profeta Elias, em 1 Reis 19, está fugindo, triste, frustrado e pedindo a Deus que tire a sua vida. Mas Deus o surpreende, desarma-o, faz com que ele se renda ao Senhor, por meio do cicio suave e tranquilo na entrada da caverna.


3. RENDIÇÃO PARA RECEBER A LIBERTAÇÃO

A mulher siro-fenícia, depois de ouvir uma dura palavra de Jesus - "Deixe primeiro que os filhos se fartem, porque não é correto pegar o pão dos filhos e jogá-lo aos cachorrinhos" (Mc 7.27) - longe de ir embora ou mesmo confrontar Jesus, ela rende-se em humilhação, e diz a Jesus: "Senhor, os cachorrinhos, debaixo da mesa, comem das migalhas das crianças" (v. 28). Como resposta de Jesus, recebe a libertação de sua querida filha que sofria: "Por causa desta palavra, você pode ir; o demônio já saiu da sua filha" (v. 28).


4. RENDIÇÃO PARA SER PERDOADO

Zaquel, o publicano, rende-se com sinceridade diante do Mestre: "Se tenho defraudado alguém, o restituirei quatro vezes mais...". Ele demonstrou arrependimento verdadeiro que busca reparar o dano. Falamos muito em arrependimento hoje em dia, mas suspeito que pratiquemos muito pouco o arrependimento. Errar é um fato, inerente à condição humana. E é verdade também que por vezes insistimos em erros durante anos. Mas o nosso Deus, gracioso como é, nos deu a possibilidade do arrependimento. Mas, o que é o verdadeiro arrependimento?

O publicano Zaquel nos dá o exemplo do que vem a ser o verdadeiro arrependimento. Com ele aprendemos que o verdadeiro arrependimento busca reparar o dano causado a outrem. "Se tenho defraudado alguém, o restituirei quatro vezes mais...". O Senhor Jesus então se alegra e diz as marcantes palavras: "Hoje veio salvação a esta casa". É importante pedir perdão pela dívida não paga, mas você manifestou algum esforço para quitá-la? É necessário pedir perdão pela calúnia dissipada, mas sua língua cessou da falar? É preciso suplicar o perdão pela agressão desferida, mas sua violência deu lugar à paz?

Tenho consciência de que por vezes causamos danos irreparáveis, e que por vezes é até mesmo inviável voltar a quem ferimos ou causamos algum tipo de dano. Não é possível desfazer o passado, é verdade. Mas é verdade também que podemos recomeçar, ser melhores, levantar uma nova casa dos escombros e em muitos casos, reparar o dano. Três dinâmicas marcam nossa trajetória: passado, presente e futuro. Veja como Deus é bom: das três, duas nós podemos alterar: o presente e o futuro. Pense nisto!

Então, você se arrependeu realmente? Diz a Bíblia: "Arrependam-vos e se convertam, para que sejam cancelados os seus pecados, a fim de que, da presença do Senhor, venham tempos de refrigério" (At 3.19,20).


5. RENDIÇÃO PARA CUMPRIR A VONTADE DE DEUS

O profeta Jonas é um exemplo marcante nas Escrituras de um homem que tenta fugir da vontade de Deus. Mas a vontade de Deus é boa, perfeita e agradável! Ele ousou ir na direção oposta à direção que havia sido determinada por Deus. Embarcou em um navio rumo a Társis. Mas o Senhor fez vir uma forte tempestade sobre o navio. E no navio, a tempestade mudou a sua condição: de passageiro (posição de conforto) Jonas passou à condição de tripulante (posição de trabalho!). As tempestades da vida, por vezes, mudam nossa posição. Ali, rendeu-se finalmente à vontade de Deus que, por meio de um grande peixe, o conduziu onde ele deveria ter ido desde o início. E ali, ainda que contrariado, cumpriu a vontade de Deus.


CONCLUSÃO

Nossa arrogância, autossuficiência e prepotência nos afastam do Senhor. Ele resiste aos soberbos, mas dá graça aos humildes. É quando nos rendemos, isto é, quando agimos confiando Nele e dependendo Dele, que vencemos e seguimos em frente, diante dos muitos desafios que a vida coloca para nós.


Por Roney Ricardo Cozzer


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