sábado, 4 de junho de 2022

CRÔNICA DE UM PROFESSOR FRUSTRADO...


Vez ou outra, e outra vez recentemente, me vejo tomado por profunda frustração.
Sou levado a repensar minha atividade docente, especificamente, a qualidade do meu ensino e o impacto que ele causa.
Estendo à minha tarefa de ensinar a reflexão ou a indagação que aplico à minha própria vida: Qual o sentido?
Para mim, a busca pelo sentido tem sido também uma jornada de busca pelo que dá sentido ao sentido...
Noutras palavras, faz sentido por isto e por aquilo, e isto e aquilo é que dá o significado...
E ao longo do caminho, tenho encontrado migalhas deliciosas, com as quais tenho saciado parcialmente minha fome.
Isto é um fato!
Mas admito que vendo a amplitude do conhecimento, a velocidade com que ele caminha, a exigência dos aprendentes e a perícia com que ensinam os grandes mestres, me sinto frustrado...
Que diferença eu faço? Estaria eu, de fato, em condições de integrar o grupo dos que ensinam com excelência? Estaria eu enganando a mim mesmo? Estaria eu no lugar errado?
Nessa autoanálise, até que ponto me enganei? E até que ponto acertei? Afinal de contas, nossa avaliação sobre nós mesmos será sempre viciosa e tendenciosa...
Mas o curioso - e me perdoem por isto! - é que a despeito disto... Ou melhor, também em função disto, eu simplesmente prossigo:
Cada aula precisa ser melhor, cada sentença pronunciada precisa ser mais clara, cada epistemologia precisa ser mais profundamente justificada e explicitada e, cada hipótese, defendida com mais cuidado.
As migalhas estão aí... São aquelas caras de espanto e de maravilhamento que meus alunos vez ou outra fazem mediante o compartilhar de alguma noção nova para eles... 
Também o comentário de que sua mentalidade e mesmo o seu comportamento foi afetado em alguma medida mediante algum conhecimento novo que eu transmiti a eles...
Ou alguém que comenta ter lido com satisfação algum texto meu, que pretendi que fosse um livro...
Ah, isso não tem preço! Que migalhas saborosas!
Mesmo diante de minhas incertezas, prossigo, agarrando-me a algumas certezas preciosas...
Que dança maravilhosa essa, de uma frustração que me impulsiona à seguir em frente, mas me mantêm no lugar em que devo permanecer: no lugar da humildade pedagógica...

Roney Cozzer
www.teologiavida.com


 

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