segunda-feira, 4 de julho de 2022

RASCUNHOS EXEGÉTICOS SOBRE ROMANOS 7.14-25

PERGUNTA PROBLEMA

Estaria a expressão paulina contida em 7. 24 fazendo referência à condição de Paulo como fariseu sob a Lei, ou é uma referência à condição atual do cristão?


CONSIDERAÇÕES

Conquanto admita-se que esta seja uma expressão que aluda à condição de Paulo sob a Lei, como fariseu, é fato que a mensagem aplica-se também à condição atual do cristão. Isto pode ser percebido pelos fatores possíveis que se seguem:


A perícope de Romanos 7.14-25 emprega palavras, noções e - pode-se concluir - uma teologia comum a outros textos paulinos que tratam da luta interna do cristão contra o pecado (em termos atuais). Palavras como "Lei", "pecado" e "corpo" carregam, na teologia paulina, a ideia dessa luta constante contra inclinações contrárias à graça de Deus, indicando ser ela parte da condição atual do cristão (atual ao tempo que Paulo escreve e, por aplicação, ao cristão hoje). Gálatas 5.17 afirma: "Porque a carne cobiça contra o Espírito, e o Espírito, contra a carne; e estes opõem-se um ao outro; para que não façais o que quereis" (Almeida Revista e Corrigida). A Bíblia de Jerusalém afirma: "Trata-se aqui do homem sob o domínio do pecado antes da justificação, enquanto no cap. 8 tratar-se-á do cristãos justificado, na posse do Espírito. Mas este também, aqui na terra, experimenta a divisão interior (Gl 5,17s)" (Bíblia de Jerusalém, 2006, p. 1978, nota a).


Porque a Lei é vista na perícope em perspectiva ao pecado, e o pecado continuava sendo uma realidade presente para Paulo (Rm 6; Gl 2 e 6). A carne é, no pensamento paulino, o elemento que enfraquece a Lei (cf. 8.3). E a carne continua sendo uma realidade presente na condição cristã. Isto fica claro por textos como Gálatas 5.16: "Digo, porém: Andai em Espírito e não cumprireis a concupiscência da carne". 


É possível aplicar textos bíblicos, a partir de uma exegese séria, a realidade do cristão, hoje. A própria exegese pressupõe que os resultados do seu trabalho cheguem à comunidade de fé por meio de uma aplicação possível. Não fosse isso, o texto bíblico não teria valor de regra e de fé para as comunidades de fé, reduzindo-se a uma obra literária da Antiguidade a ser analisada academicamente. O exegeta pentecostal Craig S. Keener (2017, p. 522) afirma o seguinte: "Para muitos comentaristas, o trecho de Romanos 7.14-25 descreve a luta de Paulo com o pecado na época em que escrevia a passagem, pois ele usa verbos no tempo presente". 


BIBLIOGRAFIA

Bíblia de Jerusalém: nova edição, revista e ampliada. São Paulo: Paulus, 2006.

KEENER, Craig S. Comentário histórico-cultural da Bíblia: Novo Testamento. Trad.: José Gabriel Said. Thomas Neufeld de Lima. São Paulo: Vida Nova, 2017.


Roney Cozzer

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