quinta-feira, 28 de julho de 2022

📄 CONTRIBUIÇÕES DA LEITURA POPULAR DA BÍBLIA PARA A FORMAÇÃO INTEGRAL DO INDIVÍDUO


Compartilho com você minha Dissertação de mestrado, para leitura e pesquisa. Nela eu trabalho com um "tripé", a saber: Hermenêutica Bíblica, Leitura Popular da Bíblia e Educação Cristã. Ela está estruturada em três capítulos.

Título completo: Contribuições da Leitura Popular da Bíblia para a formação integral do indivíduo: uma proposta de ensino a partir da Educação Cristã e de sua cosmovisão. 

Data da defesa e aprovação: 06 mar. 2018. 


Link para leitura: Clique aqui para ler a obra.


Se preferir, pode acessá-la também pelo QR Code abaixo:




sexta-feira, 15 de julho de 2022

VEJAM SÓ! - PAULO, EM ROMANOS 7, FALA DO SALVO OU DO PERDIDO?

MINHA PARTICIPAÇÃO NO PROGRAMA VEJAM SÓ 📺📺📺

🖊️ Assista e deixe seu comentário. 


Participação no Vejam Só do dia 14 de julho de 2022, debatendo com o Pr. Ildo Mello.

Crédito do vídeo: Canal Vejam Só Oficial: Disponível em: <https://youtu.be/iNp-m8nSKCA>. Acesso em 15 jul. 2022.



segunda-feira, 4 de julho de 2022

RASCUNHOS EXEGÉTICOS SOBRE ROMANOS 7.14-25

PERGUNTA PROBLEMA

Estaria a expressão paulina contida em 7. 24 fazendo referência à condição de Paulo como fariseu sob a Lei, ou é uma referência à condição atual do cristão?


CONSIDERAÇÕES

Conquanto admita-se que esta seja uma expressão que aluda à condição de Paulo sob a Lei, como fariseu, é fato que a mensagem aplica-se também à condição atual do cristão. Isto pode ser percebido pelos fatores possíveis que se seguem:


A perícope de Romanos 7.14-25 emprega palavras, noções e - pode-se concluir - uma teologia comum a outros textos paulinos que tratam da luta interna do cristão contra o pecado (em termos atuais). Palavras como "Lei", "pecado" e "corpo" carregam, na teologia paulina, a ideia dessa luta constante contra inclinações contrárias à graça de Deus, indicando ser ela parte da condição atual do cristão (atual ao tempo que Paulo escreve e, por aplicação, ao cristão hoje). Gálatas 5.17 afirma: "Porque a carne cobiça contra o Espírito, e o Espírito, contra a carne; e estes opõem-se um ao outro; para que não façais o que quereis" (Almeida Revista e Corrigida). A Bíblia de Jerusalém afirma: "Trata-se aqui do homem sob o domínio do pecado antes da justificação, enquanto no cap. 8 tratar-se-á do cristãos justificado, na posse do Espírito. Mas este também, aqui na terra, experimenta a divisão interior (Gl 5,17s)" (Bíblia de Jerusalém, 2006, p. 1978, nota a).


Porque a Lei é vista na perícope em perspectiva ao pecado, e o pecado continuava sendo uma realidade presente para Paulo (Rm 6; Gl 2 e 6). A carne é, no pensamento paulino, o elemento que enfraquece a Lei (cf. 8.3). E a carne continua sendo uma realidade presente na condição cristã. Isto fica claro por textos como Gálatas 5.16: "Digo, porém: Andai em Espírito e não cumprireis a concupiscência da carne". 


É possível aplicar textos bíblicos, a partir de uma exegese séria, a realidade do cristão, hoje. A própria exegese pressupõe que os resultados do seu trabalho cheguem à comunidade de fé por meio de uma aplicação possível. Não fosse isso, o texto bíblico não teria valor de regra e de fé para as comunidades de fé, reduzindo-se a uma obra literária da Antiguidade a ser analisada academicamente. O exegeta pentecostal Craig S. Keener (2017, p. 522) afirma o seguinte: "Para muitos comentaristas, o trecho de Romanos 7.14-25 descreve a luta de Paulo com o pecado na época em que escrevia a passagem, pois ele usa verbos no tempo presente". 


BIBLIOGRAFIA

Bíblia de Jerusalém: nova edição, revista e ampliada. São Paulo: Paulus, 2006.

KEENER, Craig S. Comentário histórico-cultural da Bíblia: Novo Testamento. Trad.: José Gabriel Said. Thomas Neufeld de Lima. São Paulo: Vida Nova, 2017.


Roney Cozzer

sábado, 4 de junho de 2022

CRÔNICA DE UM PROFESSOR FRUSTRADO...


Vez ou outra, e outra vez recentemente, me vejo tomado por profunda frustração.
Sou levado a repensar minha atividade docente, especificamente, a qualidade do meu ensino e o impacto que ele causa.
Estendo à minha tarefa de ensinar a reflexão ou a indagação que aplico à minha própria vida: Qual o sentido?
Para mim, a busca pelo sentido tem sido também uma jornada de busca pelo que dá sentido ao sentido...
Noutras palavras, faz sentido por isto e por aquilo, e isto e aquilo é que dá o significado...
E ao longo do caminho, tenho encontrado migalhas deliciosas, com as quais tenho saciado parcialmente minha fome.
Isto é um fato!
Mas admito que vendo a amplitude do conhecimento, a velocidade com que ele caminha, a exigência dos aprendentes e a perícia com que ensinam os grandes mestres, me sinto frustrado...
Que diferença eu faço? Estaria eu, de fato, em condições de integrar o grupo dos que ensinam com excelência? Estaria eu enganando a mim mesmo? Estaria eu no lugar errado?
Nessa autoanálise, até que ponto me enganei? E até que ponto acertei? Afinal de contas, nossa avaliação sobre nós mesmos será sempre viciosa e tendenciosa...
Mas o curioso - e me perdoem por isto! - é que a despeito disto... Ou melhor, também em função disto, eu simplesmente prossigo:
Cada aula precisa ser melhor, cada sentença pronunciada precisa ser mais clara, cada epistemologia precisa ser mais profundamente justificada e explicitada e, cada hipótese, defendida com mais cuidado.
As migalhas estão aí... São aquelas caras de espanto e de maravilhamento que meus alunos vez ou outra fazem mediante o compartilhar de alguma noção nova para eles... 
Também o comentário de que sua mentalidade e mesmo o seu comportamento foi afetado em alguma medida mediante algum conhecimento novo que eu transmiti a eles...
Ou alguém que comenta ter lido com satisfação algum texto meu, que pretendi que fosse um livro...
Ah, isso não tem preço! Que migalhas saborosas!
Mesmo diante de minhas incertezas, prossigo, agarrando-me a algumas certezas preciosas...
Que dança maravilhosa essa, de uma frustração que me impulsiona à seguir em frente, mas me mantêm no lugar em que devo permanecer: no lugar da humildade pedagógica...

Roney Cozzer
www.teologiavida.com


 

quinta-feira, 21 de abril de 2022

COMO ESCREVER UM LIVRO

 


Dicas para quem deseja publicar livros! Inscreva-se lá no canal e me siga nas redes. Instagram: https://www.instagram.com/roneycozzer/ Facebook: https://www.facebook.com/roneyricardo...

domingo, 17 de outubro de 2021

O DESAFIO DE SER DEUS (ESBOÇO DE SERMÃO)



TEXTO BÍBLICO BASE

"Ouvi, ó Céus, presta atenção, ó terra, porque Iahweh está falando: Criei filhos e os fiz crescer, mas eles se rebelaram contra mim. O boi conhece o seu dono, e o jumento, a manjedoura de seu senhor, mas Israel é incapaz de conhecer, meu povo não é capaz de conhecer, meu povo não é capaz de entender" (Isaías 1.2,3, Bíblia de Jerusalém, 2006).


INTRODUÇÃO

Há cenas de filmes que realmente nos marcam. Uma em particular me é muito especial. Aquela do filme O Todo-poderoso, que tem como protagonistas os incríveis atores Jim Carrey e Morgan Freeman, em que o Morgan, representando Deus, se dirige ao Jim, que representa o Bruce, e diz para ele o seguinte: "Não é fácil, Bruce, esse negócio de Deus". 

O enredo do filme é muito interessante e comunica uma mensagem mais interessante ainda. Bruce recebe de Deus os seus poderes e começa a usar e a abusar deles. Mas a certa altura do filme, tudo dá errado, especialmente porque Bruce, agora no lugar de Deus, responde com um "Sim" a tudo que as pessoas lhe pediam. A cidade então vira um caos e Bruce se desespera. 

É nesse momento que ele se reencontra com Deus (Morgan), que diz para ele: "Não é fácil, Bruce, esse negócio de Deus!" Ao ouvir essa frase, fui levado a refletir sobre como nos equivocamos sobre a pessoa de Deus, nutrindo concepções a respeito Dele por vezes distante do que a Bíblia realmente nos ensina sobre a sua Pessoa. O texto bíblico escolhido para embasar esse sermão sinaliza justamente para a ignorância de um povo que, conquanto fosse religioso, na verdade não conhecia o seu Deus. No filme, Bruce tinha uma concepção totalmente errada a respeito de Deus, mas agora começa a compreendê-lo e a compreender fatos da vida por uma perspectiva totalmente diferente: mais madura, sensata e responsável.

Que concepções erradas nutrimos sobre Deus? Por vezes, nossa formação religiosa contribui para introjetar em nós uma imagem a respeito Dele que até mesmo nos adoece em diferentes esferas da nossa existencialidade: espiritual, subjetiva, familiar, social... Sem dúvida, a maneira como vemos e entendemos uma pessoa será determinante sobre a forma como nos relacionamos com ela. Consideremos a seguir algumas dessas formas equivocadas de encarar Deus.


1. DEUS COMO A "ALTEZA DISTANTE"

Recebemos uma espécie de herança religiosa em nossa formação cristã: a imagem de Deus como um tirano, um déspota, sempre pronto a castigar e a lançar no Inferno. Nutrimos a ideia de um Deus sempre visto em termos punitivos e de violência. E tal concepção não é de agora, como bem sabemos: ela remonta à Idade Média.

A Bíblia, especialmente o Novo Testamento, no entanto, nos apresentam Deus como aquele que, em Cristo, despiu-se de sua glória e majestade. Tornou-se servo e semelhante aos homens (Fp 2.7). Ensinou o serviço e a humildade (Mt 23.8). Abraçou crianças, acolheu pecadores, foi tocado por mulheres, fez refeições com publicanos e outros marginalizados pela sociedade judaica e confundia-se com seus discípulos. 


2. DEUS COMO O "GARÇOM CELESTIAL"

Infelizmente, com a popularização da Teologia da Prosperidade no Brasil, grande parte do movimento evangélico brasileiro, com suas muitas denominações, assumiu uma visão muito equivocada a respeito do Senhor: ele tem sido encarado como uma espécie de "garçom celestial". Essa forma de entender Deus contribui diretamente para se produzir uma religiosidade e uma espiritualidade que são utilitárias e materialistas, regidas por interesses mesquinhos e desprovidos de alteridade - essência do verdadeiro seguimento de Cristo.

Essa forma de se relacionar com Deus estabelece, na verdade, uma espécie de consumismo religioso. Contribui ainda para configurar uma forma de "empreendedorismo religioso". E qual o problema disto? Tal postura foge ao que se espera do verdadeiro discipulado cristão, que pressupõe uma relação de amor a Deus e ao próximo, que opera pela fraternidade, compaixão, solidariedade e capacidade de compartilhar, não de acumular.


3. DEUS COMO "AQUELE QUE FAZ O QUE NÓS DEVERÍAMOS FAZER"

Infelizmente, existe uma tendência muito forte na religiosidade do evangélico brasileiro de se relacionar com Deus em termos de uma dependência que viola sua própria autonomia como indivíduo. Dito de outra forma: o evangélico se aproxima de Deus entendendo precisar Dele para trivialidades da vida. Deus, no entanto, nos chama a uma autonomia responsável, e além das Escrituras, que são aptas para instruir para a vida (2 Tm 3.16,17), Ele também nos deu "instrumentos" importantes como o bom senso e a razão, que devemos usar nas decisões e ações da vida.

Essa religiosidade de dependência extrema infelizmente deu lugar a compreensões equivocadas sobre o nosso próprio papel em nossa vida e na vida de outras pessoas. Tornamo-nos reféns de promessas, de expectativas e de arquétipos dos quais realmente não damos conta, esperando milagres acontecerem, quando na verdade somos chamados pelo Evangelho à responsabilidade na vida, responsabilidade pelas nossas próprias escolhas, ações e também pelas suas consequências. 

É muito fácil esperar que Deus providencie os recursos essenciais àqueles que não tem condições de dizimar ao invés de nos movermos para ajudar essas pessoas; é mais confortável esperar que Jesus multiplique os pães para saciar os famintos, mandar os famintos irem embora em busca de comida, quando na verdade o que Jesus ensina mesmo é que nós devemos dar de comer a quem passa dificuldade. No Evangelho lemos assim: "Ao cair da tarde, os discípulos aproximaram-se dele e disseram: "Este é um lugar deserto, e já está ficando tarde. Manda embora a multidão para que possam ir aos povoados comprar comida". Respondeu Jesus: "Eles não precisam ir. Dêem-lhes vocês algo para comer" (Mt 14.15,16). Pensemos nisto!


CONCLUSÃO

Aí está o grande desafio de ser Deus: não ser compreendido pelos seus filhos como Ele realmente é, como Quem Ele realmente é. Por mais paradoxal que seja, mesmo o Todo-poderoso, que a todas as coisas criou, enfrenta certa "dificuldade". Em Isaías, o Eterno "desabafa"! Ele diz: "O meu povo não entende". O que Ele espera de nós é que o compreendamos, o conheçamos e o amemos. Assim, de fato, teremos condições de nos relacionar corretamente com Ele.

O Cristianismo é uma religião que, corretamente entendida, nos eleva e não mediocriza. Precisamos ser capazes de tomar decisões com responsabilidade, seguindo na via de uma ética regida pelo amor a Deus e ao próximo, sem atribuir a Deus tudo aquilo que Ele, na verdade, colocou sob nossa condição de fazer e realizar. Vale concluir aqui com a fala de "Deus" (Morgan), no filme O Todo-poderoso, para Bruce (Jim): "Você quer um milagre, Bruce? Seja você esse milagre!" 


REFERÊNCIAS

Bíblia de Jerusalém: nova edição, revista e ampliada. São Paulo: Paulus, 2006.


Por Roney Cozzer

sábado, 16 de outubro de 2021

A EQUILIBRAÇÃO ENTRE RAZÃO E EMOÇÃO

 

"[...] estar integrado a um grupo é parte da própria natureza do ser humano. O indivíduo busca se integrar na família, no trabalho, na igreja, na associação, etc. Desde a primeira infância o ser humano já deixa muito evidente a sua sociabilidade. Ele se desenvolve a partir do outro, em diversos âmbitos: intelectual, físico, espiritual, moral, social, profissional, afetivo e emocional, na utilização da linguagem (LORENA, 2014, p. 31).

Consciente disto, o líder cristão deve trabalhar para tornar a comunidade de fé que lidera um grupo o mais saudável possível, para que ela possa assim ajudar as pessoas que a ela se integram. A construção de uma comunidade de fé que seja acolhedora é um processo e demanda esforços e cuidado. É preciso ter isto como objetivo. Nessa vivência comunitária da fé, quando saudável, subjetividade e coletividade se encontram de maneira muito produtiva, permitindo que expectativas positivas se confirmem, revisões sejam feitas na própria personalidade e na comunidade, esforços em prol de valores e atividades fundamentais sejam empreendidos, de modo que tudo isto contribui diretamente para a saúde emocional, espiritual e comunitária de todos os envolvidos.

É preciso desenvolver a afetividade. “[...] De acordo com Piaget, afetividade e inteligência andam lado a lado, são consideradas inseparáveis e formam os dois aspectos complementares de toda a conduta humana” (LORENA, 2014, p. 31). Com efeito, a vida é uma constante equilibração entre razão e emoção. É preciso pensar e sentir, entender e viver, refletir e chorar. Por mais que se valorize sobremodo a razão, hoje em dia, é fato que as emoções interferem diretamente em nossas ações, explodindo na cotidianidade. Daí a necessidade delas serem equilibradas com a razão, de modo que as ações humanas sejam coerentes, não egoístas, produtivas e edificantes para si e para o outro" (COZZER, Roney Ricardo. Psicologia aplicada ao ministério pastoral. Serra, ES: Centro de Ensino Superior FABRA, 2021).


Felicidade

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